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sábado, 10 de dezembro de 2016

A Morte da Sra. McGinty - Agatha Christie

Poirot está entediado. Ele passa a vida desfrutando de sua aposentadoria, se dedicando de corpo e alma às refeições diárias, experiências ricas que ele faz questão de planejar, antecipar e rememorar. É um ponto de reflexão para ele o impasse entre seu desejo de ter mais do que três refeições diárias e sua incapacidade de se adaptar ao costume britânico do chá das cinco. Mais do que tudo, ele sente falta do desafio intelectual que se fez presente durante toda a sua vida como detetive.
É então após um lauto jantar (a refeição mais importante do dia para o famoso investigador) que ele recebe a visita de um ex-colega de profissão, o detetive Spence, que procura o sue auxílio em um caso peculiar. Spence pessoalmente fora o responsável pelo inquérito sobre a morte da Sra. McGinty, assassinada em sua residência, com um forte golpe na cabeça. O único suspeito fora seu inquilino, James Bentley, recentemente condenado pelo júri e condenado à pena capital. O caso é que os instintos de Spence lhe dizem que Bentley é inocente.
Poirot não resiste ao bom mistério e se desloca para Kilcester, o pequeno povoado onde ocorreu o crime. Ele encontra um cenário desencorajador com instalações pouco cômodas e escassa oferta gastronômica, entretanto o mistério o motiva. À medida em que ele se engaja na investigação, começa a duvidar da culpa do condenado, mas encontra pouquíssimas pessoas disposta a corroborar com seu argumento. Aparentemente Bentley não causa uma boa impressão nas pessoas.
Como salvar da forca um homem detestado por muito e que pouco se ajuda?

sábado, 22 de outubro de 2016

Um Punhado de Centeio - Agatha Christie


Agatha escreveu mais de setenta romances, mais de 150 contos e quase vinte peças de teatro, conseguindo o feito de ser reconhecida internacionalmente como romancista e dramaturga. Nas suas histórias, umas das personagens recorrentes é a adorável velhinha xereta Miss Marple, especialista em comportamento humano que desvendas crimes e mistérios com base na observação e reflexão. Está é uma de suas histórias.
Tudo começa em Londres, um cenário pouco habitual para as histórias de Agatha e onde não esperamos encontrar Miss Marple, muito menos em um prédio de escritórios onde um empresário escroque é assassinado.
Rex Fortescue passa mal depois de tomar chá em seu escritório. Depois de uma comoção entre as secretárias e as datilógrafas, ele é encaminhado ao hospital e falece, vitimado por um veneno improvável, a taxina, encontradas nas frutinhas e folhas de teixo, árvore que dá nome à propriedade da família Fortescue, o Chalé do Teixo, e que pode ser encontrada em abundância no jardim do falecido.
O inspetor Neele é chamada para cobrir a ocorrência e é através dele que conhecemos a excêntrica família aristocrática.
O falecido era pai de dois rapazes e uma jovem moça, sendo um dos rapazes casados e residente no Chalé do Teixo, e, o outro brigado com a família, mora na África. Ou melhor, morava, pois havia sido recentemente chamado de volta ao lar pelo pai.
Também moram no chalé a nova senhora Fortescue, segunda esposa de Rex e trinta anos mais jovem, e a irmã da primeira senhora Fortescue, tia Effie, aparentemente louca e fanática religiosa.
Miss Marple só aparece depois da metade do livro, depois de mais duas vítimas serem feitas, uma delas, uma jovem menina que fora sua protegida na infância, mas como sempre, ela traz um ponto de vista inesperado.

sábado, 3 de setembro de 2016

O Preço da Vitória - Harlan Coben

Harlan Coben dá um novo fôlego para os romances policiais.
O gênero policial é um dos mais badalados do mundo literário, muito lido mundo afora, é também muito visado pelos escritores, o que leva a um grande número de publicações medianas. De tempos em tempos, surge um ponto fora da curva, como Stieg Larsson (da trilogia Millennium). Coben é um desses pontos. Seus personagens ricos e reais, suas cenas vívidas e ágeis, suas tramas intrincadas, com reviravoltas, mas sem exageros estilísticos e sua narrativa direta e fluida, o alçam ao panteão dos grandes escritores, lado a lado com Agatha Christie e Sir Arthur Conan Doyle.
Dentre os seus livros, meus preferidos são os protagonizados por Myron Bolitar, o ex-atleta que se dedica a agenciar estrelas do esporte e a resolver crimes envolvendo seus pupilos.
Este livro começa em um torneio de golfe, esporte detestado por Myron, mas fonte em potencial de clientes para sua agencia de representações. Durante uma partida, ele é abordado pelo sogro de um dos competidores, que lhe joga a bomba logo de cara: seu neto fora sequestrado e a filha e o marido estão pedindo a ajuda de Myron para encontrar o garoto.
O fato de a mãe do adolescente desaparecido também ser uma estrela do golfe só adensa a trama, embora não se compare com a confusão causada por seu parentesco com Win, violento melhor amigo de Myron, que tem péssimas relações com a família.
A investigação se dá muito naturalmente, mas cada revelação deixa a confusão ainda maior, envolvendo mais e mais a família de Win.

sábado, 23 de julho de 2016

Assassinato na Casa do Pastor - Agatha Christie


Um dia antes de o coronel Protheroe quatro pessoas fazem ameaças veladas contra ela, incluindo o pastor de St. Maey Mead — em cuja casa é encontrado o corpo e que narra a história —, que logo no primeiro capítulo desabafa em um almoço de família que o mundo seria um lugar melhor sem a presença do coronel.
A filha, e herdeira, do coronel, Lettice, também comenta que as vezes tem vontade de matar o pai; além da esposa, madrasta de Lettice, e de seu amante, o pintor Lawrence Redding, que já entrara em atrito com o coronel diversas vezes.
A própria Miss Marple, imune a qualquer suspeita, reconhece que é de pouco se lamentar a perda de uma figura tão odiosa. É também na presença de Miss Marple (que afa sua estreia neste romance, como uma velhinha xereta e tagarela) que é comentado o fato de a primeira mulher do coronel tê-lo abandonado anos antes.
A autora, então, incrementa a história colocando detetives profissionais e amadores, entre os quais o narrador, Pastor Clement, e a adorável Miss Marple, para investigar o caso, em que vários são os suspeitos, e mais de uma pessoa confessa o crime. 

Assassinato na Casa do Pastor foi o décimo segundo livro publicado por Agatha Christie, dez anos depois de sua estreia. Além de ser destacado por ser a primeira aparição de Miss Marple, chama a atenção pela capacidade da história de não se desgastar, mesmo oitenta e cinco anos depois de usa publicação original.

sábado, 21 de maio de 2016

O Inocente - Harlan Coben

Outro dia uma amiga me mandou uma mensagem por Whatsapp dizendo: "Harlan Cobem é muito bom! Como ele faz isso?".
Eu até pensei que sabia a resposta, mas depois de ler O Inocente, não sei mais dizer como ele faz isso, só sei que ele faz e é demais!
Neste livro, acompanhamos a vida de Matt Hunter, um universitário de 20 anos, típico bom garoto americano que acaba entrando em uma briga para salvar um amigo e, sem querer, mata um dos envolvido em um golpe de puro azar. A despeito de sua inocência, ele é condenado e passa quatro anos preso, sujeito às violências e à sordidez da cadeia.
Quando sai, com muita luta e apoio do irmão, ele consegue se reerguer, superar os traumas e em parte o estigma de párea social. Começa a trabalhar na firma de advocacia da qual o irmão é sócio, mas, embora seja bacharel em direito e muito competente, não consegue a licença para advogar por ter sido condenado por assassinato.
Ele também consegue encontrar o amor. Quando ele reencontrar Olivia, a bela garota com a qual havia saído uma vez antes de ser condenado, o romance ressurge e eles se casam.
Matt, então, consegue voltar a viver plenamente. 
Tudo descarrila quando eles finalmente conseguem engravidar. Pouco depois de decidirem comprar celulares modernos com câmera (o livro é de 2005) ele recebe umas fotos e  um vídeo incriminador sobre a esposa.
A partir daí, entramos em uma rede de ação, mistério e aventura até o fim do livro, com detetives, assassinos, agentes do FBI, ex-estripers e freiras.
Harlan Coben provando a que veio do começo ao fim!

sábado, 7 de maio de 2016

Os Três Ratos Cegos e Outras Histórias - Agatha Christie

Ter um livro da Agatha Christie para ler é um alento. Ter uma de suas coletâneas de conto nas mãos, é, então, certeza de bons momentos de leitura. Em Os Três Ratos Cegos e Outras Histórias, a Rainha do Crime reúne treze de seus contos policiais para divertir e intrigar.

  • Os Três Ratos Cegos: em pleno inverno uma nevasca isola uma pousada recém inaugurada no interior da Inglaterra, distante quatro quilômetros do vilarejo mais próximo, fica isolada do mundo. Hospedados lá, quatro hóspedes têm razão para desconfiar uns dos outros: pouco tempo antes deles chegarem à pousada, um assassino disfarçado deixara registrado em um caderno que se dirigia àquela pousada. A agonia do jovem casal que é do da hospedaria só aumenta quando um de seus hóspedes é assassinado em plena luz do dia.
  • Estranha Charada: Miss Marple é convidada para solucionar uma divertida charada, procurar um tesouro escondido em uma mansão recém herdada. Só mesmo a divertida velhinha, com suas digressões e tagarelices poderia resolver esse mistério.
  • O Crime da Fita Métrica: Uma mulher aparece morta dentro da própria casa. Seu marido é o principal suspeito do assassinato, mas alguém parece ter tentado incriminar Miss Marple também... cabe, então, a ela procurar um alfinete no palheiro.
  • O Caso da Empregada Perfeita: Uma empregada perfeita aparece no pequeno povoado de St. Mary Mead. Ela encanta a todos com seus préstimos... até que desaparece depois de fazer a limpa nas casas da região.
  • O Episódio da Caseira: Mais uma aventura de Miss Marple, dessa vez o mistério envolve uma casa caindo aos pedaço, há muito administrada por um velho casal.
  • Os Detetives do Amor: Um homem é assassinado dentro de sua casa trancada. Então, o assassino ou de dentro ou tem a entrada garantida. Entre os suspeitos um casal, poderiam os detetives salvar o amor do jovem casal?
  • O Sinal Vermelho: Seria possível prever uma morte? Em uma sessão de espiritismo os curiosos reunidos são alertados que algo ruim espere por um deles em casa.
  • O Quarto Homem: Pode uma pessoa ter dupla personalidade? Tripla? Quádrupla? Pode uma personalidade assassinar a outra?
  • O Rádio: Uma velha viúva ouve seu falecido marido dizer, pelo rádio, que está vindo buscá-la no final da semana. No dia e na hora marcados, ela morre.
  • Testemunha de Acusação: Um jovem pobre e desesperado é acusado de assassinar sua velha patrona. A principal testemunha de acusação: a esposa apaixonada.
  • O Mistério do Vaso Azul: Em um campo de golfe quase vazio um grito por socorro é ouvido todas as manhãs, na mesma hona e no mesmo lugar.
  • A Última Sessão: Uma médium pode trocar de lugar com o espírito ao qual dá voz?
  • SOS: Um homem sofre um acidente durante uma tempestade e é obrigado a pedir abrigo em uma fazenda próxima. Ele passa a noite com a família, é muto bem recebido, mas durante a noite, recebe um pedido de socorro. Como evitar um assassinato?

sábado, 30 de janeiro de 2016

Os Corvos de Hollywood - Joseph Wambaugh

Outros dos livros que só li porque me puseram nas mãos.
Aparentemente o autor é bem sucedido no mercado americano, embora, por estar longe de seu contexto, alcance pouca abrangência com o público brasileiro.
Segundo o autor, os Corvos de Hollywood são policiais responsáveis por pequenas ocorrências e problemas cotidianos. Neste livro, ele conta a história de dois de seus integrantes, os recém-chegados Nate Weiss e Ronnie Sincair. Os dois oficiais vêm de outra divisão, e estão acostumados a grandes crimes, mas resolvem mudar de ares.
A relativa calmaria do novo trabalho é quebrada quando Nate se vê envolvido com a sedutora e perigosa Margot Aziz, ex-esposa do rico empresário árabe Ali Aziz. 
Nate desconfia que está se tornando parte de um golpe ligado ao processo de separação do casal de magnatas. O grande enredo é como essa desconfiança enreda todos os corvos.

Embora eu goste muito de romances policiais, este se enquadra na categoria que eu menos admiro, os romances noir, ou melhor, uma releitura do estilo noir, que aborda os detetives como membros ordinários da sociedade, mas faz uma leitura muito localizada de sociedade. Nesses livros, o contexto é quase sempre o mais violento que os autores conseguem encontrar, os guetos e favelas mais violentos das grandes metrópoles; em contrapartida, os romances policiais verdadeiros abordam o mundo de uma forma muito mais generosa, como os de Agahta Christie, em que o crime geralmente ocorre em um vilarejo interiorano, ou os de Sherlock Holmes, que embora ocorram em Londres, não se restringem aos cantos mais sujos e abandonados, ou mesmo os thrillers médicos de Robin Cook ou jurídicos de John Grisham, em que médicos e advogados são os investigadores, e geralmente se situam em grandes centros, lidando com casos graves e, as vezes, violentos, mas com um senso de pureza maior.
Pra mim esses romance noir tentam abordar a periferia e forçá-la nossas vidas a dentro, tentando vender uma imagem que politicamente correta de que a periferia também faz parte da cidade, mas acabam mesmo é repetindo vezes sem conta o pior que tem a ser mostrado desses lugares.

sábado, 12 de dezembro de 2015

Noite Sem Fim - Agatha Christie

Agatha Christie aparece entre minhas leituras umas dez vezes ao ano. Ela disputa espaço com Stephen King, Marion Zimmer Bradley e Bernard Cornwell, como uma de minhas escritoras preferidas. Em geral, eu prefiro as aventuras de Poirot, mas também gosto muito das histórias com detetives menos badalados, como o Coronel Race. Só olhos com menos apreço para os livros da Miss  Marple...
Este, por outo lado, é uma exceção, pois não há nenhum detetive investigando o mistério.
A história é narrada por Michael Rogers, um jovem rapaz de origem pobre e não muito afeito ao trabalho. Ele viaja um pouco e descreve seu amigo, Santonix, um extravagante arquiteto, e um misterioso lugar, uma propriedade rural chamada As Torres, mas conhecida como Campo do Cigano. Segundo os vizinhos, o lugar seria amaldiçoado. Na verdade a sutil maldição é que ali acontecem acidentes.
Quando Michael e Ellie se apaixonam, muitos os criticam, pois ela é uma rica herdeira americana, e ele não tem ode cair morto. A despeito de toda a oposição, eles se casam, compram o Campo do Cigano e contratam Santonix para construir a casa dos sonhos.
A família de Ellie reprova a relação, mas aceita por depender dela financeiramente.
O mistério se instala quando Ellie misteriosamente morre em um acidente enquanto cavalgava pela propriedade.

sábado, 24 de outubro de 2015

Maldito Juscelino - Pedro Cunha de Menezes

Esse é um daqueles livros que eu só leio porque ganhei de presente; caso tivesse tomado-o entre as mãos em uma livraria, não teria dado a ele um lugar nas minhas estantes. E teria sido muito bem feito, porque não vale a pena por dinheiro nisso.
O livro traz, já em seu prefácio, a pachorrenta afirmação: "A trama do romance Maldito Juscelino envolve crime, suspense e violência. Classificar o livro como um representante do gênero policial, entretanto, seria um equívoco só permitido aos cegos." E continua dizendo que "sua história objetiva prender e agradar a todos os leitores", ou seja, não se filia a nenhum gênero nem consegue qualidade para se enquadrar em nenhum estilo, o autor atira solto para acertar qualquer alvo.
E erra, pois a narrativa é enfadonha, a premissa é fraca e o livro como todo é um fiasco.
Deixo aberto a questão de ser ou não um romance policial, mas garanto que é sobre uma cidade infestada pelo crime (o verdadeiro Rio de Janeiro), sobre policiais e sobre traficantes.

sábado, 8 de agosto de 2015

Morte no Nilo - Agatha Christie

Os livros de Agatha Christie são publicados no Brasil por várias editoras, sendo a Nova Fronteira a que mais se destaca. Em 2014, a editora anunciou novas edições, mais luxuosas do que as versões econômicas em que encontramos as histórias da Rainha do Crime. As novas edições são em capa dura e em papel amarelado, e devem abranger mais títulos da autora nesse nos próximos meses.
Este é um dos livros que mostram a influência do segundo casamento da autora com o arqueólogo Max Mallowan, com quem viajou o mundo e se aventurou no mundo das escavações arqueológicas.
Na história vemos como a linda herdeira Linnet Ridgeway "rouba" o noivo de sua melhor amiga e passa a ser perseguida por essa amiga. Teria a jovem milionária ido longe demais?
Em sua viagem de lua de mel, num cruzeiro pelo rio Nilo, o casal encontra e reencontra várias vezes com a mulher abandonada. Haveria algo mais perigoso do que uma mulher abandonada, uma amiga traída? É o que Linnet se pergunta quando falha uma tentativa de tirar sua vida.
O triste é que ela não tem tempo para refletir mais sobre o tema, pois a segunda tentativa não falha, e ela é encontrada morta com um tiro na cabeça logo após ter o marido baleado e ferido gravemente pela mesma arma.
Cabe a Hercule Poirot, de férias, e ao Coronel Race descobrirem...

sábado, 18 de abril de 2015

Temporada de Caça - Andrea Camilleri


Já falei antes da minha surpresa com Andrea Camilleri. Há poucos dias, comecei a ler mais um de seus livros despretensiosamente divertidos. Lendo sobre ele, descobri que, embora tenha apreciado muito seus livros, até agora não tomei contato com sua obra prima, os romances policiais protagonizados pelo comissário Salvo Montalbano.
Temporada de Caça foi originalmente publicado antes do sucesso alcançado pelo escritor italiano, e atesta sua proficiência em outro gênero, o histórico. Mais uma vez Camilleri recorre à fictícia cidade de Vigàta, dessa vez nos idos de 1880, para traçar uma trama de mistério.
Quatro passageiros desembarcam do vapor Rei da Itália, três cidadãos regressando de viagem e um forasteiro taciturno, que se instala sob nome falso e abre uma farmácia.
Aos poucos, excêntricas mortes surpreendem os membros da família aristocrática Peluso di Torre Venerina; porém, mais do que o mistério, Camilleri explora o ambiente provinciano, o impacto do que é estranho ao cotidiano na cidadezinha, a constante fofoca. Com sua experiência com teatro e televisão, o autor cria uma narrativa muito fluida, muito confortável, com um humor sempre presente.

sábado, 28 de março de 2015

O Mistério Sittafor - Agatha Christie


Agatha Christie está sempre entre os meus preferidos. Desde 2009, quando li pela primeira vez um de seus romances — Assassinato no Expresso do Oriente, como quase todo iniciante! — e me apaixonei indelevelmente, tenho sempre à mão um novo crime pra solucionar. De lá pra cá, já li cerca de 40 livros assinados pela Rainha do Crime, e ainda tenho o conforto de saber que ainda tenho mais o mesmo tanto pra ler pela frente, já que a autora foi uma das mais profícuas da literatura.
Raramente me desencanto com uma aventura imaginada por Agatha, mas procuro escrever pouco sobre seus livros, pois, dado o meu encanto, as postagens tendem a ser muito parecidas. Entretanto, numa mostra do carinho que eu tenho pela autora, há alguns anos, dei seu nome a uma de minhas gatas.
Uma das características que mais me chama a atenção nos livros da Agatha é sua descrição do ambiente e do clima, típicos de seu tempo (primeira metade do século XX, em pequenas cidades da Inglaterra). Geralmente nos primeiro capítulos, ela se dedica especialmente a nos localizar em sua criação. Nesse livro, especificamente, a trama se passa em Sittaford, um pequeno vilarejo em Devonshire (muitos de seus livros se passam em Devonshire, no sul da Inglaterra, por ser a região natal da grande escritora), basicamente constituído pela mansão Sittaford, construída pelo Capitão Trevelyan, seis chalés, também construídos e vendido pelo capitão, três cabanas uma ferraria, uma confeitaria e um posto de correio.
Em uma pacata noite de inverno, em que uma nevasca particularmente generosa se abate sobre a região, um pequeno grupo de amigos se reúne na mansão Sittaford para passar o tempo com alguns jogos inofensivos. A certo ponto da noite, é proposto um jogo de mesa-girante, um jogo em que se tenta a comunicação com espíritos.
Embora muitos dos envolvidos alegam desacreditar, quando a mesa sugere que um assassinato ocorrera, o bom clima acaba. Pior ainda fica o desconforto, quando o Capitão Trevelyan é encontrado assassinado, com hora da morte coerente com o indicado pelo jogo paranormal.

sábado, 14 de março de 2015

O Complô - Heather Grahan

Com descrições longas, porém ricas — que, caso você tenha paciência o suficiente, te ambientam muito bem no cenário da história, um ilha próxima à Miami — e personagens complexos e soturnos, Heather Grahan constrói um thriller policial ambíguo, ora magistral, ora sacal.
Trata-se de um dos livro que eu ganho e que de outra maneira não leria, pois a sinopse não me atrai. Trata-se da história do misterioso desaparecimento de Sheila Warre. Na verdade, a princípio, ninguém ficou surpreso, dado seu envolvimento com drogas, prostituição e canalhas de um modo geral; mas sua amiga Kelsey Cunningham não se resigna e decide iniciar uma investigação por conta própria. A única pessoa que pode lhe fornecer informações seguras é o detetive Dane Whitelaw, ex-amante de Sheila e um homem por quem Kelsey já fora apaixonada.
Whitelaw e as moças foram amigos na infância, e juntamento com outros envolvidos na história formavam um círculo bem fechado de amigos. Embora todos pretendessem permanecer na ilha pra sempre, o destino os separa e só os reúne tempos depois, na lúgubre ocorrência do desaparecimento de Sheila. De volta ao lar, Whitelaw é um detetive particular, está afundado em amarguras e quando é procurado por Kelsey, tenta dissuadi-la, embora seja o único que sabe que Sheila está morta.

O maior defeito, pra mim, está na narração da confusão mental dos personagens. A autora conduz-nos pelos pensamentos de suas criações de modo caótico e confuso. Outros autores também revelam a confusão mental em suas tramas, porém, de modo mais eficaz, como, por exemplo, J. K. Rowling, que prefere narrar de modo organizado e fluído a confusão de seus personagens, passando a noção do quão confuso um problema os deixou, sem nos confundir também; ou Stephen King, que crua narrativas tresloucadas sobre a insanidade, sem nos levar a um estado semelhante.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Morte na Flip - Paulo Levy


Seguindo em uma das minhas paixões literárias: O Romance Policial.
O escritor brasileiro Paulo Levy tem um feito raro em nossas terra, uma sequência de livros. Mais ainda, uma sequência de romances policiais sobre o mesmo delegado, Joaquim Dornelas.
Nesse livro, a fictícia cidade de Palmyra está em polvorosa com a iminente realização do evento literário mais importante do país, a Festa Literária Internacional de Palmyra - Flip (evidente releitura da verdadeira Flip, Festa Literária Internacional de Paraty).
Pouco antes da abertura do evento, Dornelas identifica algo suspeito: um barco sai ao mar no começo da noite levando a bordo um barqueiro e uma passageira. Parece pouco mas é suficiente para inquietar o delegado, que, pouco antes de sair encerrar seu expediente, coloca um subordinado de sobreaviso. Não dá outra, na manhã seguinte o delegado é despertado por uma ocorrência, dois corpos encontrado na praia, um homem, e uma mulher, aparentemente estrangeira.
No curso da investigação, acompanhamos o dia a dia do delegado, um homem recém abandonado pela esposa, que começa a redescobrir o amor (com a médica-legista Dulce Neves). Entre os hábitos notáveis de nosso herói - e ele é pintado mesmo como um herói, com rígidos padrões morais, que zela para que seus subalternos sejam respeitados e respeitadores, que é um pai quase exemplar, mesmo à distância - estão seus costumes alimentares. Com a vida corrida, ele nem sempre consegue fazer refeições propriamente ditas, então, sempre que preciso, recorre a uma receita infalível: seis colheres de farinha láctea, duas de leite em pó e água até completar um consistente mingau duvidosamente nutritivo. Ele também gosta de recompensar o próprio esforço com alguns quadradinho de chocolate ao leito no meio do dia (é ou não uma característica que dá charme a um personagem?!?!).
A tarefa de Dornelas se agrava quando ele descobre que uma das vítimas era uma importante escritora dinamarquesa convidada para participar da Flip.

sábado, 13 de dezembro de 2014

OBicho-da-Seda - Robert Galbraith (J. K. Rowwling)

Nesse segundo livro, oito meses após solucionar o caso Lula Landry, Strike foi alçado ao status de celebridade, não só por ser filho do astro do rock Jonny Rokeby, mas por ser o investigador que trouxe justiça à adorada Lula.
A publicidade que seguiu a solução do caso trouxe a ele uma maré de trabalho, tornando o detetive particular mais famoso da metrópole e proporcionando a Strike o luxo de poder selecionar seus clientes e de cobrar o suficiente para sair da pindaíba em que se encontrava.
Nesse período, Strike cuida majoritariamente do mesmo tipo de cliente, gente que o quer como espião, para descobrir se está sendo traído, para descobrir infidelidades antigas e arrancar uma soma maior em um divórcio, para espionar, registrar, seguir, enfim, para que seus serviços rendam lucro ao contratante. Porém, à face de mais uma reunião enfadonha com um engravatado pedante, Strike é procurado por uma senhora de meia idade, de aparência simples que está preocupada com o marido, desaparecido.
Leonora Quine é casada com o escritor Owen Quine, de mediano sucesso, mais famoso por seus arroubos egocêntricos do que pela qualidade de sua literatura. Owen já desaparecera diversas vezes antes, sempre voltando em poucos dias com a conta do hotel para sua agente acertar; mas dessa vez já se passaram dez dias e Leonora está sem dinheiro para manter a casa e a filha excepcional.
A princípio, ela queria apenas que Strike encontrasse o marido e o mandasse de volta pra casa, mas quando ele o encontra, só e possível mandá-lo para algum lugar em grandes sacos de evidências. Quine fora cruelmente amarrado, assassinado, desmembrado, queimado, tal qual o personagem principal de seu último romance.
Para complicar a trama, no mesmo livro em que descreve sua futura morte, Quine adapta seus colegas de trabalho, amigos e família como personagens da trama de um modo que deixasse cada um deles com vontade de matá-lo.

Tanto esse quanto o primeiro livro foram lançados também em capa dura, um mimo da Rocco para os leitores.

sábado, 6 de dezembro de 2014

O Chamado do Cuco - Robert Galbraith (J. K. Rowwling)

O Chamado do Cuco está, definitivamente, entre os cinco melhores livro que eu li ano passado. Em sua nova proposta, Rowling pulica sob o pseudônimo de Robert Galbraith porque queria ter a chance de se sentir novamente como uma escritora iniciante e ver seus livros venderem por suas histórias, e não por levarem o seu nome.
Na nova empreitada, ela mergulha no universo dos romances policiais com o detetive (veterano de guerra) Cormoran Strike e sua assistente Robin Ellacot. Fugindo dos clichês e do lugar comum em um dos estilos mais populares da literatura, Rowling (ou Galbraith) mostra que sua marca registrada é o talento, criando um detetive que cai nas graças do público e faz seus fãs se impacientarem a espera de uma continuação. Felizmente, ela anunciou, pouco depois do lançamento do segundo livro, que já está escrevendo o terceiro, e que planeja, no mínimo, um total de oito (!).
Em sua primeira aventura, Cormoran Strike está falido. Depois de deixar a Policia Militar Real (polícia interna do exército britânico) com a perna arrebentada por uma mina no Afeganistão, Strike se dedica a investigações particulares, mas vê sua carreira escorrer por água abaixo junto com seu noivado.
A situação se reverte quando no mesmo dia ele encontra uma nova secretária e um novo cliente. Robin chega ao escritório de Strike como uma solução temporária, mas gradativamente conquista o seu espaço. Já o novo cliente, é o irmão de uma famosa modelo que teria se suicidado poucos meses antes.
No curso da investigação, conhecemos e passamos a adorar Cormoran Strike.

Confira na semana que vem o meu comentário sobre a sequência de O Chamado do Cuco, O Bicho-da-Seda.

sábado, 8 de novembro de 2014

Raylan - Elmore Leonard


Mais um livro que inspirou uma série de televisão, nesse caso a agitada série Justified (que eu também ainda não assisti).
Antes mesmo de começar a ler o livro, fui me informar sobre ele e encontrei uma forte — e merecida — crítica quanto à (má) qualidade da tradução, no site Opinião & Notícia.
O livro traz uma aventura do agente federal Raylan Givens, uma das criações mais populares de Elmore Leonard. Parte do sucesso é atribuída ao estrondosa audiência da série de TV Justified, exibida no Brasil pelo canal Fox. Na história, Raylan se vê em um cenário familiar, mas não necessariamente agradável. Em Harlan County, no Kentucky, os irmãos Crowe estão migrando do tráfico de drofas para o de órgãos humanos.
Com seu jeitão lacônico, chapéu de aba e dezenas de casos se empilhando sobre a mesa, Raylan é o único obstáculo entre eles e o mercado internacional de cadáveres. O problema é que, antes de dominar a situação, Raylan se vê numa banheira de gelo, com uma elegante enfermeira prestes a roubar seus rins.


Diz a crítica que "com o suspense, a ironia e os diálogos rápidos que são a marca do autor, Raylan é puro Elmore Leonard do começo ao fim."

sábado, 6 de setembro de 2014

Dragão Vermelho - Thomas Harris

Só depois que conheci a série que fui me interessar mais pelo adorável canibal Hannibal Lecter. Então, comprei o box com três dos quatro livros e revi os quatro filmes. Durante a leitura desse, por várias vezes revi partes da série, para fazer relação (recomendo).
Este primeiro livro é um romance policial diferente, no qual logo descobrimos quem é o assassino, ficando em suspense saber como, quando, ou mesmo, se ele será pego. E também há Hannibal, que deveria ser apenas um personagem coadjuvante, mas rouba  a cena de tal modo que acaba "ganhando" outros livros.
Hannibal é um personagem tão complexo, tão psicologicamente instigante que o autor diz não se sentir confortável e sua "presença".
Na história, uma série de assassinatos leva Will Grahan a superar seus traumas e voltar a trabalhar para o FBI. Ele está à caça de Francis Dolaryde, um psicopata, que sofre de distúrbios mentais que o levam a cometer crimes e protagonizar cenas que assombram o leitor. Durante a leitura, percebemos que ele é atormentado pelos traumas de sua infância, abandonado pela mãe devida a seu lábio leporino e palato fendido e por ser fruto de um casamento infeliz, ele é criado pela severa avó materna, a quem assiste definhar com a idade.
Harris usa, em certo ponto, o recurso de descrever o que uma testemunha alheia conclui ao observar o comportamento de um dos personagens centrais ao invés de focalizar na descrição do próprio personagem.

sábado, 30 de agosto de 2014

Dexter: A Mão Esquerda de Deus - Jeff Lindsay

Ao contrário da maioria dos aficionados por seriados, eu não assisti Dexter. Por isso, não saberei comparar o que está no livro (a verdade) e o que está no seriado (o inventado).
Talvez antes de ler o segundo livro eu comece a assistir e, então, saiba estabelecer relações.
Dexter Morgan trabalha como perito em borrifos de sangue para a polícia de Miami. Assim, está sempre junto à fonte de informações para suas verdadeiras atividades, aquelas nas quais ele se sente realizado: matar assassinos.
Embora ele goste de se descrever como completamente insensível, sem compaixão, amor, solidariedade, tesão ou medo, gradativamente, no decorrer do seu relato, em primeira pessoa, percebemos que não é bem assim.
Mas em alguns trechos, ele deixa aparecer os seus sentimentos, como nesse:
"Quando você tem catorze anos e está acampando com seu pai, nenhum lugar tem um céu tão estrelado quanto o sul da Flórida. Mesmo que ele seja apenas seu pai adotivo."
Em um momento ele imagina o que as pessoas, que só conhecem a fachada que ele escolhe mostrar, pensariam caso descobrissem a verdade: "Era um homem tão gentil. Muito simpático. Não consigo acreditar que tenha feito essas coisas terríveis."
Enquanto tocava sua vida, matando um assassino aqui, outro ali, Dexter é surpreendido por alguém à sua altura. Um serial killer que primeiro o impressiona pela "limpeza" de seu trabalho, deixando as partes esquartejadas das vítimas embrulhadas para presente, completamente exangues.
Com o tempo ele vê que há algo a mais no caso, como se o assassino estivesse mandando mensagens para ele. Nosso "herói" fica obcecado por esta figura misteriosa.


sábado, 1 de março de 2014

Cartas na Mesa - Agatha Christie

Nesse livro há um diferencial, Agatha Christie fala com o leitor, através do prefácio. Ela apresenta algumas de suas ideia sobre a trama e faz uma provocação, dizendo que está história é umas das preferidas de Poirot, mas uma das preteridas por Hastings, e que quer saber a qual dos dois o leitor fará coro.
Eu, pessoalmente, não sigo nenhum, nem outro.
No livro, o excêntrico Sr. Shaitana, famoso por sua aparência teatral e mefistolesca, e pelas festas que promove, convida Poirot para um jantar ímpar. Como convidados também estão a Sra. Oliver, o Coronel Race e o inspetor Battle, da Scotland Yard, que somam quatro detetives (que também aparecem em outros livros de Christie).
Os outros quatro convidados são assassinos em potencial (e talvez em reincidência!).
No final da festa é o próprio Shaitana que é encontrado morto.
Daí segue-se a tradicional investigação; mas dessa vez há quatro detetives em ação conjunta.
De qualquer modo é um livro interessante para nós que amamos a Rainha do Crime!