sábado, 10 de dezembro de 2016

A Morte da Sra. McGinty - Agatha Christie

Poirot está entediado. Ele passa a vida desfrutando de sua aposentadoria, se dedicando de corpo e alma às refeições diárias, experiências ricas que ele faz questão de planejar, antecipar e rememorar. É um ponto de reflexão para ele o impasse entre seu desejo de ter mais do que três refeições diárias e sua incapacidade de se adaptar ao costume britânico do chá das cinco. Mais do que tudo, ele sente falta do desafio intelectual que se fez presente durante toda a sua vida como detetive.
É então após um lauto jantar (a refeição mais importante do dia para o famoso investigador) que ele recebe a visita de um ex-colega de profissão, o detetive Spence, que procura o sue auxílio em um caso peculiar. Spence pessoalmente fora o responsável pelo inquérito sobre a morte da Sra. McGinty, assassinada em sua residência, com um forte golpe na cabeça. O único suspeito fora seu inquilino, James Bentley, recentemente condenado pelo júri e condenado à pena capital. O caso é que os instintos de Spence lhe dizem que Bentley é inocente.
Poirot não resiste ao bom mistério e se desloca para Kilcester, o pequeno povoado onde ocorreu o crime. Ele encontra um cenário desencorajador com instalações pouco cômodas e escassa oferta gastronômica, entretanto o mistério o motiva. À medida em que ele se engaja na investigação, começa a duvidar da culpa do condenado, mas encontra pouquíssimas pessoas disposta a corroborar com seu argumento. Aparentemente Bentley não causa uma boa impressão nas pessoas.
Como salvar da forca um homem detestado por muito e que pouco se ajuda?

sábado, 3 de dezembro de 2016

Mundo Sem Fim - Ken Follett


Depois de ler Os Pilares da Terra no carnaval de 2015 eu fiquei obcecado com a história e com a genialidade narrativa de Follett, mesmo já conhecendo outros de seus livros. Foi, então, um desafio conseguir ler esse livro, sequência de Pilares, que está esgotado nas livrarias nacionais e mesmo nos sebos é difícil de ser encontrado, de modo que eu tive que comprá-lo em inglês, e encarar sua longa leitura — mais de 1000 páginas — em outro idioma. E eu recomendo, mesmo não sendo uma leitura simples, dada a qualidade literária e histórica do livro.
O primeiro livro se passa na Inglaterra do século XII, um período em que o trono estava sendo disputado por dois primos que levaram o reino ao caos. Em Mundo Sem Fim, duzentos anos depois, o plano de fundo histórico é o início da Guerra dos Cem Anos.
A história se passa no povoado de Kingsbridge, dominado pelos monges, mas que abriga um grande espectro de pessoas e profissionais, que se envolvem na política do reino, no comércio, na criminalidade, e, é claro, na arquitetura, um dos planos de fundo dos dois livros.
Os personagens centrais da trama são descendentes dos personagens do primeiro livro, e de certo modo, repetem as trajetórias de vida dos antepassados, lutando pela manutenção do poder do priorado, por construir grandes obras que afrontam os poderosos nobres regionais e lutando por seus amores e famílias.

Pela minha experiência com os demais livros do autor, sei que seu ponto alto são as ficções históricas, de modo que depois de ter lido estes dois livros e a trilogia O Século, não restam grandes obras (de meu interesse) em seu currículo, mesmo assim, eu recomendo a leitura de livros do autor.

sábado, 26 de novembro de 2016

As Vantagens de Ser Invisível - Stephen Chbosky


Quando uma amiga me indicou esse livro descrevendo-o como intenso e imprevisível, como se realmente houvesse alguém te contando uma história, eu imediatamente me movimentei para comprar e ler o livro.
Não me arrependi em nada.
Eu o selecionei para ser uma leitura muito especial, durante uma viagem de dois dias à São Paulo para minha defesa de mestrado (o livro pode ter me dado sorte, fui tudo bem e eu fui aprovado!).
A surpresa já começa pelo estilo narrativo, epistolar, em que o narrador personagem se apresenta como Charlie e conta suas experiências de vida durante um ano, seu primeiro no Ensino Médio, a um leitor desconhecido.
Charlie acabara de perder seu melhor amigo, Michael, que se suicidara poucos meses antes do início das cartas. Esse fato o marcou muito, embora não tenha sido o acontecimento mais triste de sua vida.
No início do ano, com uma nova organização escolar e sem amigos, Charlie tenta se adaptar e encontrar um novo grupo. Sua tentativa é mais difícil por causa de sua personalidade emotiva. Há inclusive várias cenas em que ele chora copiosamente durante diálogos e em público (algo muito incomum na cultura americana).
Charlie acaba se aproximando de Sam e Patrick, um casal de irmãos bastante insólito, que o levam para festas, o apresentam às bebias e ao cigarro, mas também o ajudam a superar algumas de suas "esquisitices".
Não há muito como descrever o livro sem revelar pontos importantes sobre o enredo, mas acredite: você precisar ler esse livro. Nem que seja só para diversificar sua experiência como leitor.

sábado, 19 de novembro de 2016

Lady Catherine, o Conde e a Verdadeira Downton Abbey - Condessa de Carnarvon


Como disse na postagem sobre o livro Lady Almina e a Verdadeira Downton Abbey, minha série preferida é Downton Abbey, o drama britânico sobre os moradores e criados de uma propriedade rural inglesa no início do século passado. Tanto que procuro ler tudo que se escreve sobre a série. Entre as minhas leitura estava o livro mencionado acima, em que a atual condessa de Carnarvon fala sobre a vida da bisavó de seu marido, o oitavo conde de Carnarvon.
A relação entre os Carnarvon e a série é que o conde e a condessa moram no cenário em que é filmado o seriado britânico, o castelo de Highclere.
A atual lady Carnarvon se aventura entre os documentos históricos, diários pessoais, livros e pesquisas para construir um relato histórico leve e interessante que registra em primeiro lugar a história dos ocupantes do castelo de Highclere no último século, através da perspectiva da sexta condessa, lady Catherine. Com o relato, nos dois livros, fica registrado também parte da história da Inglaterra e do mundo. Juntas, Almina e Catherine passaram por duas guerras mundiais, conflitos dentro do Império Britânico e disputas políticas nacionais.
Catherine, como a sogra, era americana, filha de uma família oligárquica, mas depauperada, e após rejeitar vários pretendentes na Inglaterra, fez um bom casamento com o herdeiro de Carnarvon. Entretanto acabam aí as semelhanças entre elas. Catherine viveu em uma época de reviravoltas em uma sociedade até então engessada, teve de tocar o castelo com menos empregados.

Como da vez anterior a condessa foi muito gentil ao me responder quando escrevi comentando sobre o livro, por outro lado, a Editora Intrínseca não manifestou vontade quanto a tradução desta sequência, de modo que a leitura só está disponível em inglês.

sábado, 12 de novembro de 2016

Escuridão Total Sem Estrelas - Stephen King

É difícil saber se gosto mais de Stephen King em seus romances ou em seus contos. Um livro como esse, com quatro excelentes contos longos fazer a balança pender na direção dos contos. Mas a noção de comparação entre conto e romance se perde no obra do King porque, embora também seja prolixo em seus romances (que as algumas vezes passam das novecentas páginas), alguns de seus conto poderiam muito bem ser publicados como romances com mais de cem páginas. As vezes 150.
Este livro chega ao Brasil muitíssimo bem produzido pela Suma de Letras, que parece ter alcançado um padrão para arrancar elogios deste leitor, com quatro contos divididos em 390 páginas, que conduzem um leitor aos territórios da imaginação do grande mestre.
Os livros do King costumam ser classificados como de terror, mesmo quando ele escreve romances policiais, ficção científica e até contos de fada, mas essa coletânea de contos se dedica à brutalidade humana: à ganância, à loucura, à vingança, ao autoengano... Tudo com a qualidade narrativa e estilística que renderam ao autor inúmeros prêmios literários através das décadas
São os quatro contos:
1922: Wilfred James conta a história de como a loucura e o azar se instalaram em sua vida no ano de 1922, logo após sua irritante mulher receber de herança 100 acres de terra vizinhos à sua própria fazenda. A esposa, Arlette, queria vender tudo, incluindo a fazenda do marido, e se mudar para a cidade. Depois de muitas brigas, pai e filho resolvem liquidar Arlette. Com o assassinato, começa o declínio da sanidade dos dois, uma sucessão de eventos catastróficos que culmina com o relado-confissão de Wilfred.
Gigante do Volante: Tess é mulher madura que ganha a vida escrevendo livros de mistério e adora dirigir para dar palestras nas pequenas cidades da Nova Inglaterra. Ou melhor, era, porque depois de ser estuprada, roubada e quase assassinada quando pegava um atalho para voltar para casa depois de uma de suas palestras, ela se tornou outra mulher, planejando sua vingança, movida pelo ódio e pela vergonha.
Extensão Justa: Dave Streeter está morrendo. Ele tem um câncer agressivo em fase terminal, está desenganado e vem passando seus últimos meses de vida entre vômitos e dores. É em uma dessas crises de vômito que ele conhece um personagem peculiar, que lhe oferece uma extensão de vida em troca de um pouco de dinheiro e da ruína de um inimigo.
Um Bom Casamento: Darcy e Bob são um casal que vivem um casamento feliz por décadas. Criaram seus filhos, prosperaram, viajaram, se divertiram e se amaram por muito tempo, até que ela descobriu que o marido era um assassino em série louco e violento.
Depois da leitura dos contos fica um gostinho de quero mais que garante que vou voltar ler livros de Stephen King, talvez nem espere a Suma traduzir...

sábado, 5 de novembro de 2016

Sobrevivente - Chuck Palahniuk


Há alguns meses li Clube da Luta, só porque estava na promoção e porque alguns amigos haviam recomendado muito tempo antes. Foi uma decepção, mas mesmo assim resolvi ler mais um livro do autor.
Ainda bem que dei a ele essa segunda chance, porque Sobrevivente definitivamente é melhor que Clube da Luta.
O princípio já é suficiente para te convencer a levar o livro pra casa, trata-se de cara que sequestra um avião, faz todo mundo descer e resolver voar sozinho no piloto automático até que o combustível acabe. Enquanto isso ele conta sua história de vida para a caixa preta.
Seu nome é Tender Branson, e sua vida tragicômica começa três minutos e meio depois do nascimento de seu irmão (gêmeo) mais velho, Adam. Pela cultura da comunidade religiosa em que eles foram criados, Adam é o único filho que recebe um tratamento diferenciado dos demais. Todos os outros devem se chamar Tender, e todas as filhas devem se chamar Biddy.
Ao completar dezessete anos, todos os Tender e todas as Biddy devem deixar a reserva ondem estão as fazendas das famílias da Igreja e passar a trabalhar no "mundo lá fora", sempre enviando seus salários para a comunidade religiosa.
Palahniuk arranja uma maneira singular para contar a história de como Tender Branson se torna o último sobrevivente dessa comunidade de fanáticos religiosos, depois a grande estrela e messias de sua geração, até levá-lo à atitude desesperada a bordo do voo 2039.
Em resumo, Palahniuk aborda temas polêmicos, espinhosos e atuais de forma engraçada e instigante. 
Recomendo!

sábado, 29 de outubro de 2016

Confie em Mim - Harlan Coben

Um belo dia Mike e Tia Baye resolvem instalar no computador de seu filho um programa espião que envia periodicamente um relatório com todos os sites que ele visita, todas as conversas que tem e todas as pessoas com as quais se relaciona. Nesse mesmo momento, uma mulher é encontrada assassinada à pancadas, com o rosto todo desfigurado.
Como relacionar o crime com o drama familiar? A mente genial de Coben tem a resposta.
A família Baye é uma família feliz, ele é médico e ela advogada, os filhos, Adam e Jill, têm 16 e 11 anos, e são boas crianças. Mas ultimamente Adam começou a apresentar um comportamento estranho, arredio e tristonho, após o suicídio de um dos seus melhores amigos.
A narrativa se divide em focos narrativos, alternando Mike, Tia, Jill, o assassino, a detetive Muse, encarregada de investigar o caso, e outros personagens menores. A história narrada se passa sem cerca de vinte e quatro horas, pouco tempo depois de os Baye começarem a monitorar seu filho mais velho.
A partir dessa escolha polêmica, eles descobrem indícios que o filho pode estar usando drogas, andando em companhias perigosas e frequentando lugares "barra pesada". Desse modo, o autor nos propõe a reflexão sobre a necessidade dos jovens de liberdade, a tendência dos pais de vigiarem e a responsabilidade que eles têm sobre a seguranças de seus filhos.
Mike e Tia são sugados para uma sequência de eventos violentos e a preocupação com seus filhos cresce à medida que eles mesmos são expostos à bandidos armados, uma gangue de adolescentes, traficantes abusados, outros pais desesperados e a agentes da lei truculentos e desconfiados.