sábado, 1 de abril de 2017

Crônicas Saxônicas: O Trono Vazio - Bernard Cornwell

O grande sonho de Alfredo, rei de Wessex, era unir os quatro reinos saxões da Britânia, Wessex, Mercia, Ânglia Oriental e Nortúmbria em um único grande e poderoso reino, a Anglaterra. Para isso ele dedicou toda sua vida a fortalecer Wessex e estender sua influência aos reinos vizinhos, ao mesmo tempo em que combatia os invasores dinamarqueses.
Alfredo também dedicou boa parte de sua vida ao cristianismo, religião que abraçava com fé inabalável, entretanto, seu principal guerreiro, o notório senhor Uhtred de Bebbanburg, era pagão. E mesmo sendo pagão, Uhtred lutou toda sua vida entre os cristãos para expulsar os invasores do solo britânico.
Muitos anos depois do início dessa saga, com Alfredo já morto e seu filho Eduardo no trono, o velho guerreiro Uhtred continuava em sua batalha, protegendo a família e buscando o sonho de Alfredo. Já há muito tempo ele era o principal guerreiro e o amante da filha do falecido rei, Aethelflaed, esposa de Aethelred, primo de Uhtred e senhor da Mercia, sob o comando de Wessex.
Neste livro, Aethelred e Uhtred, ambos envelhecidos, sofrem com as feridas de sua última batalha contra os dinamarqueses. Em sua agonia final Aethelred reúne seus apoiadores para um golpe final em seu primo e inimigo, mandar Aethelflaed para um convento e colocar outro inimigo no trono da Mercia.
Uhtred, por outro lado, ainda conta com aliados, que junto com ele, buscarão consolidar o poder de Aethelflaed e unir a britânia. Para isso eles usarão os artifícios de sempre, uma força implacável na guerra e estratégias dignas do xadrez na política. Em conselhos e deliberações, em batalhas e casamentos, empocilgas e castelos, acompanhamos uma mente brilhante funcionando e buscando seu ideal.
Ao passo que envelhece, seus filhos Uhtred e Stiorra, começam a seguir os passos do pai, ele como grande guerreiro, espada de Wessex, e ela como senhora pagã.
Acima de tudo a certeza de que o destino é inexorável.

sábado, 4 de março de 2017

Encontro com Rama - Arthur C. Clarke

Já há alguns anos eu pretendo ler 2001: Uma Odisseia no Espaço, do genial Arthur C. Clarke, mas por um capricho do destino Encontro com Rama chegou às minhas mãos mais cedo. E foi ótimo porque o livro é excelente, muto bem elaborado, com uma linguagem clara e direta, com detalhes ricos, mas lógicos, e um enredo ímpar.
Clarke usa e abusa de seu conhecimento literário, fazendo referências a obras de seus contemporâneos, mesmo em uma trama que se passa um século e meio a frente de seu tempo. Ele também se vale de sua formação em Física para um sólido embasamento teórico em suas conjecturas para o futuro. 
Na história, após um cataclismo causado pelo choque de um meteorito com uma região amplamente povoada da Europa em 2077, os cientistas constroem sistema de monitoramentos dos astros dedicado a proteger o Sistema Solar, o Spaceguard. Cinquenta anos depois, é encontrado um asteroide de proporções inimagináveis se dirigindo ao Sol. Ele é batizado de Rama — um deus da mitologia hindu — e atrai as atenções de toda a humanidade, agora espalhada entre os planetas Terra, Marte, Júpiter e a Lua.
Os primeiros estudos indicam que o asteroide que se aproxima da Terra tem estrutura cilíndrica regular, uma rotação de quatro minutos e, dada sua massa e densidade, seria oco. Ou seja, não se trata de um corpo celeste, mas de um objeto artificial, construído por uma inteligência alienígena.
Capitão Norton, da nave Endeavour é escalado para a missão de reconhecimento de Rama, e conduz uma expedição sem precedentes, ao interior de uma construção alienígena. É sua tarefa liderar a única equipe que poderá investigar Rama, devido a sua trajetória em direção ao Sol. Pela mesma razão a tripulação da Endeavour deve abandonar Rama antes que atinjam uma temperatura insustentável.
Haveriam formas de vida alienígena no interior de Rama? Seria ele uma tumba? Uma nave? Uma ecossistema independente? Traria algum risco à Terra?

Não sei se era a intenção do autor, mas livro acaba lembrando bastante o clássico de Júlio Verne, Viagem ao Centro da Terra, com suas descidas ao interior de Rama, a investigação inusitada, o sentido de estar onde nenhum outro homem esteve.
De qualquer modo é um ótimo livro e deve estar em toda biblioteca de ficção científica.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Rascunhando Sobre a Vida: nas entranhas do universo - Gaston Leonardo Stefani

Marcelo Mourão relaciona o segundo livro de Gaston Stefani com o fenômeno da pós-modernidade, devido a multiplicidade de vozes que o autor emprega em seus escritos. Eu ampliaria o conceito relacionando-o também com chamada Idade-Mídia em que vivemos. Gaston usa de diversos recursos literários para compor uma obra plural e ímpar.
Alternados entre suas breves páginas, encontramos contos, poesias longas e curtas, minicontos, nanocontos... vemos amor, sexo, terror, esperança, distopia, polêmica, enfim, Gaston capta tudo que está na cena da literatura contemporânea e compõem uma miscelânea literária muito interessante.
Sem dúvidas um livro recomendado.
A mais chamativa das obras desse livro é o duplo conto Final (I e II) sobre como Renato descobri que na verdade os nazistas venceram a Segunda Guerra Mundial e dominaram o mundo em segredo.

domingo, 1 de janeiro de 2017

O Demonologista - Andrew Pyper


David Ullman é professor de literatura na Universidade de Columbia, em Nova York, especializado do poeta inglês do século XVII John Milton, especificamente em seu poema Paraíso Perdido, uma obra épica em verso, semelhante a grandes clássicos gregos como Eneida, dedicada ao mito cristão da "queda do homem", da tentação de Adão e Eva pela serpente.
Embora seja profissionalmente um estudioso da mitologia cristã e da bíblia, David é ateu e se considera livre de superstições.
Momentos depois de terminar sua última aula do ano ele inicia uma série de experiências desagradáveis. Primeiro, ao passar em sua sala para deixar algumas anotações e trabalhos de alunos, ele encontra a Mulher Magra o esperando. A misteriosa mulher que vem lhe entregar um convite inusitado, partir imediatamente para uma consultoria em Veneza, com viagem de primeira classe, hospedagem em hotel de luxo e honorários mais do que generosos garantidos. Em contrapartida, nada seria revelado sobre a natureza de sua consultoria ou sobre a origem de seu empregador.
David negas despacha a mulher desagradável e parte para seu próximo compromisso, o tradicional encontro para drinques com sua única amiga, Elaine O'Brien, onde pretende discutir a crise em seu casamento. O assunto, entretanto, é cambiado para o câncer em estágio avançado recém descoberto de O'Brien.
A terceira notícia desagradável, porém não surpreendente, é o comunicado oficial que sua esposa está saindo de casa, deixando David e a filha Tess.
A tristeza e o choque o fazem se decidir por aceitar a oferta e voar para Veneza na manhã seguinte com a filha. É aqui o livro começa de verdade, quando David encontra um homem possuído por um demônio. Em uma passagem cheia de referências bibicas, ele tem o pior encontro de sua vida, sendo confrontado com um mal inegável e com traumas de seu passado.
Nem bem ele decide fugir de volta para Nova York, um misterioso demônio leva sua filha, e sela seu destino.

O livro é muto bom, com um enredo envolvente, uma linguagem gostosa e referências legais, e embora aDarkSide tenha feito, mais uma vez, um ótimo trabalho na impressão e acabamento, a tradutora deixa a desejar. Não que hajam erros explícitos de tradução, mas há escolhas ruins de sinônimos e de explicações em notas de rodapé, que não contribuem com a agilidade da leitura.
Mesmo assim, vale a pena!

sábado, 24 de dezembro de 2016

Vento pela Fechadura - Stephen King


Já disse que, embora adore a obra de Stephen King, a série Torre Negra não me encanta muito, esta, porém, é uma exceção. Achei a leitura bem agradável e interessante.

Roland, Jake, Oi, Susannah e Eddie estão no meio de sua jornada, entre o Palácio Verde (quarto livro) e Calla (quinto livro), quando são atravessado por uma borrasca, uma super tempestade gelada do mundo médio, que os obriga a parar e procurar abrigo por dois dias. Junto com todo o vento e a neve, a borrasca também traz a Roland várias memórias, e como ele está com tempo, decide contar a seus companheiros duas histórias.
O Troca Peles, uma aventura de sua juventude em que, logo após a morte de sua mãe, o pistoleiro recém "graduado" é mandado para investigar uma série de mortes violentas em uma das vilas decadentes que é governada por seu pai. Roland e seu parceiro, Jamie, encontram um vilarejo apavorado por um monstro que se transforma em animais gigantes e devora as pessoas, o Troca Peles.
Durante sua busca, o pistoleiro tem que lidar com um garota de onze anos cujo pai fora vítima da fera. É enquanto o garoto o ajuda na investigação e eles esperam reforços que Roland lhe conta uma das lendas de sua infância, o Vento pela Fechadura.
Vento pela Fechadura é a história do menino Tim Ross, que vive em uma vila de lenhadores às margens de uma floresta imensa e perigosa. A aventura de Tim envolve dragões, a morte do pai, um padrasto violento, fadas, povos da floresta, cobras perigosas, um tigre gigante, e Randall Flagg, o mais odiado dos vilões.

Finda a tempestade, o Ka-tet volta à estrada, rumo à Torre Negra.

sábado, 17 de dezembro de 2016

A Menina Submersa - Caitlín R. Kiernan

Que livro estranho!
Quando uma amiga em indicou esse livro dizendo que não ter certeza de gostou ou não, mas que eu precisava ler porque era algo único, eu primeiro fiquei cético. Fui pesquisar sobre a obra e autora e mesmo assim custei a ter certeza se deveria ou ler. Acabei ganhando o livro dessa mesma amiga e lendo tão logo ele chegou às minhas mãos (furando a fila de leitura!).

Já nas primeiras páginas conhecemos India Morgan Phelps, a Imp. Ela já se apresenta como provável resultado de uma sequência hereditária de esquizofrênicas com tendências suicidas, e também conta que está se dispondo a escrever uma "história de fantasmas". Relacionando as duas coisas, ela adverte que tudo o que for lido nas próximas páginas deve ser encarado com desconfiança, porque, pra ela, nem tudo que é verdadeiro é também factual.
O livro altera o foco narrativo de modo que é difícil perceber se a história vem sendo contada pela Imp ou sobre ela, mas acabamos conhecendo-a e gostando dela (pelo menos eu gostei).
Ela vive em uma cidade em Rhode Island, na Nova Inglaterra — já disse que adoro ler sobre essa região — e, no momento em que a história se passa, divide o apartamento com a sua namorada, Abalyn. Eis aqui o primeiro tema complexo do livro. Abalyn é transsexual e lésbica. Ela nasceu com fenótipo e genótipo masculino, mas com mente feminina, e se submeteu a uma transformação medicinal para corrigir a situação. Como mulher, ela também é lésbica. Essa é uma questão muito interessante e controvérsia. A biografia da autora é difícil de encontrar, mas ela passou pela mesma situação de Abalyn. Outro exemplo real (factual ^^) é o ator Buck Angel, cuja história pode ser encontrada nos links dessa frase.
Imp conheceu Abalyn por muito acaso, quando esta havia sido posta pra fora da casa da última namorada. Imp lhe estendeu a mão e elas foram morar juntas. Da amizade, veio o romance, cujo fim é descrito no livro.
Ela também descreve a obsessão que tem por uma pintura de um artista da região, A Menina Afogada, retratando de diversas formas durante sua vida, e como essa obsessão se relaciona co sua história de fantasmas e com Eva Canning, a misteriosa mulher que aparece na vida de Imp pra confundir ainda mais as coisas.

E mais, a DarkSide caprichou demais nessa edição limitada, do colorido das páginas ao acabamento da capa, vale muito apena.
Obrigado Amanda por mais essa indicação.

sábado, 10 de dezembro de 2016

A Morte da Sra. McGinty - Agatha Christie

Poirot está entediado. Ele passa a vida desfrutando de sua aposentadoria, se dedicando de corpo e alma às refeições diárias, experiências ricas que ele faz questão de planejar, antecipar e rememorar. É um ponto de reflexão para ele o impasse entre seu desejo de ter mais do que três refeições diárias e sua incapacidade de se adaptar ao costume britânico do chá das cinco. Mais do que tudo, ele sente falta do desafio intelectual que se fez presente durante toda a sua vida como detetive.
É então após um lauto jantar (a refeição mais importante do dia para o famoso investigador) que ele recebe a visita de um ex-colega de profissão, o detetive Spence, que procura o sue auxílio em um caso peculiar. Spence pessoalmente fora o responsável pelo inquérito sobre a morte da Sra. McGinty, assassinada em sua residência, com um forte golpe na cabeça. O único suspeito fora seu inquilino, James Bentley, recentemente condenado pelo júri e condenado à pena capital. O caso é que os instintos de Spence lhe dizem que Bentley é inocente.
Poirot não resiste ao bom mistério e se desloca para Kilcester, o pequeno povoado onde ocorreu o crime. Ele encontra um cenário desencorajador com instalações pouco cômodas e escassa oferta gastronômica, entretanto o mistério o motiva. À medida em que ele se engaja na investigação, começa a duvidar da culpa do condenado, mas encontra pouquíssimas pessoas disposta a corroborar com seu argumento. Aparentemente Bentley não causa uma boa impressão nas pessoas.
Como salvar da forca um homem detestado por muito e que pouco se ajuda?