domingo, 1 de janeiro de 2017

O Demonologista - Andrew Pyper


David Ullman é professor de literatura na Universidade de Columbia, em Nova York, especializado do poeta inglês do século XVII John Milton, especificamente em seu poema Paraíso Perdido, uma obra épica em verso, semelhante a grandes clássicos gregos como Eneida, dedicada ao mito cristão da "queda do homem", da tentação de Adão e Eva pela serpente.
Embora seja profissionalmente um estudioso da mitologia cristã e da bíblia, David é ateu e se considera livre de superstições.
Momentos depois de terminar sua última aula do ano ele inicia uma série de experiências desagradáveis. Primeiro, ao passar em sua sala para deixar algumas anotações e trabalhos de alunos, ele encontra a Mulher Magra o esperando. A misteriosa mulher que vem lhe entregar um convite inusitado, partir imediatamente para uma consultoria em Veneza, com viagem de primeira classe, hospedagem em hotel de luxo e honorários mais do que generosos garantidos. Em contrapartida, nada seria revelado sobre a natureza de sua consultoria ou sobre a origem de seu empregador.
David negas despacha a mulher desagradável e parte para seu próximo compromisso, o tradicional encontro para drinques com sua única amiga, Elaine O'Brien, onde pretende discutir a crise em seu casamento. O assunto, entretanto, é cambiado para o câncer em estágio avançado recém descoberto de O'Brien.
A terceira notícia desagradável, porém não surpreendente, é o comunicado oficial que sua esposa está saindo de casa, deixando David e a filha Tess.
A tristeza e o choque o fazem se decidir por aceitar a oferta e voar para Veneza na manhã seguinte com a filha. É aqui o livro começa de verdade, quando David encontra um homem possuído por um demônio. Em uma passagem cheia de referências bibicas, ele tem o pior encontro de sua vida, sendo confrontado com um mal inegável e com traumas de seu passado.
Nem bem ele decide fugir de volta para Nova York, um misterioso demônio leva sua filha, e sela seu destino.

O livro é muto bom, com um enredo envolvente, uma linguagem gostosa e referências legais, e embora aDarkSide tenha feito, mais uma vez, um ótimo trabalho na impressão e acabamento, a tradutora deixa a desejar. Não que hajam erros explícitos de tradução, mas há escolhas ruins de sinônimos e de explicações em notas de rodapé, que não contribuem com a agilidade da leitura.
Mesmo assim, vale a pena!

sábado, 24 de dezembro de 2016

Vento pela Fechadura - Stephen King


Já disse que, embora adore a obra de Stephen King, a série Torre Negra não me encanta muito, esta, porém, é uma exceção. Achei a leitura bem agradável e interessante.

Roland, Jake, Oi, Susannah e Eddie estão no meio de sua jornada, entre o Palácio Verde (quarto livro) e Calla (quinto livro), quando são atravessado por uma borrasca, uma super tempestade gelada do mundo médio, que os obriga a parar e procurar abrigo por dois dias. Junto com todo o vento e a neve, a borrasca também traz a Roland várias memórias, e como ele está com tempo, decide contar a seus companheiros duas histórias.
O Troca Peles, uma aventura de sua juventude em que, logo após a morte de sua mãe, o pistoleiro recém "graduado" é mandado para investigar uma série de mortes violentas em uma das vilas decadentes que é governada por seu pai. Roland e seu parceiro, Jamie, encontram um vilarejo apavorado por um monstro que se transforma em animais gigantes e devora as pessoas, o Troca Peles.
Durante sua busca, o pistoleiro tem que lidar com um garota de onze anos cujo pai fora vítima da fera. É enquanto o garoto o ajuda na investigação e eles esperam reforços que Roland lhe conta uma das lendas de sua infância, o Vento pela Fechadura.
Vento pela Fechadura é a história do menino Tim Ross, que vive em uma vila de lenhadores às margens de uma floresta imensa e perigosa. A aventura de Tim envolve dragões, a morte do pai, um padrasto violento, fadas, povos da floresta, cobras perigosas, um tigre gigante, e Randall Flagg, o mais odiado dos vilões.

Finda a tempestade, o Ka-tet volta à estrada, rumo à Torre Negra.

sábado, 17 de dezembro de 2016

A Menina Submersa - Caitlín R. Kiernan

Que livro estranho!
Quando uma amiga em indicou esse livro dizendo que não ter certeza de gostou ou não, mas que eu precisava ler porque era algo único, eu primeiro fiquei cético. Fui pesquisar sobre a obra e autora e mesmo assim custei a ter certeza se deveria ou ler. Acabei ganhando o livro dessa mesma amiga e lendo tão logo ele chegou às minhas mãos (furando a fila de leitura!).

Já nas primeiras páginas conhecemos India Morgan Phelps, a Imp. Ela já se apresenta como provável resultado de uma sequência hereditária de esquizofrênicas com tendências suicidas, e também conta que está se dispondo a escrever uma "história de fantasmas". Relacionando as duas coisas, ela adverte que tudo o que for lido nas próximas páginas deve ser encarado com desconfiança, porque, pra ela, nem tudo que é verdadeiro é também factual.
O livro altera o foco narrativo de modo que é difícil perceber se a história vem sendo contada pela Imp ou sobre ela, mas acabamos conhecendo-a e gostando dela (pelo menos eu gostei).
Ela vive em uma cidade em Rhode Island, na Nova Inglaterra — já disse que adoro ler sobre essa região — e, no momento em que a história se passa, divide o apartamento com a sua namorada, Abalyn. Eis aqui o primeiro tema complexo do livro. Abalyn é transsexual e lésbica. Ela nasceu com fenótipo e genótipo masculino, mas com mente feminina, e se submeteu a uma transformação medicinal para corrigir a situação. Como mulher, ela também é lésbica. Essa é uma questão muito interessante e controvérsia. A biografia da autora é difícil de encontrar, mas ela passou pela mesma situação de Abalyn. Outro exemplo real (factual ^^) é o ator Buck Angel, cuja história pode ser encontrada nos links dessa frase.
Imp conheceu Abalyn por muito acaso, quando esta havia sido posta pra fora da casa da última namorada. Imp lhe estendeu a mão e elas foram morar juntas. Da amizade, veio o romance, cujo fim é descrito no livro.
Ela também descreve a obsessão que tem por uma pintura de um artista da região, A Menina Afogada, retratando de diversas formas durante sua vida, e como essa obsessão se relaciona co sua história de fantasmas e com Eva Canning, a misteriosa mulher que aparece na vida de Imp pra confundir ainda mais as coisas.

E mais, a DarkSide caprichou demais nessa edição limitada, do colorido das páginas ao acabamento da capa, vale muito apena.
Obrigado Amanda por mais essa indicação.

sábado, 10 de dezembro de 2016

A Morte da Sra. McGinty - Agatha Christie

Poirot está entediado. Ele passa a vida desfrutando de sua aposentadoria, se dedicando de corpo e alma às refeições diárias, experiências ricas que ele faz questão de planejar, antecipar e rememorar. É um ponto de reflexão para ele o impasse entre seu desejo de ter mais do que três refeições diárias e sua incapacidade de se adaptar ao costume britânico do chá das cinco. Mais do que tudo, ele sente falta do desafio intelectual que se fez presente durante toda a sua vida como detetive.
É então após um lauto jantar (a refeição mais importante do dia para o famoso investigador) que ele recebe a visita de um ex-colega de profissão, o detetive Spence, que procura o sue auxílio em um caso peculiar. Spence pessoalmente fora o responsável pelo inquérito sobre a morte da Sra. McGinty, assassinada em sua residência, com um forte golpe na cabeça. O único suspeito fora seu inquilino, James Bentley, recentemente condenado pelo júri e condenado à pena capital. O caso é que os instintos de Spence lhe dizem que Bentley é inocente.
Poirot não resiste ao bom mistério e se desloca para Kilcester, o pequeno povoado onde ocorreu o crime. Ele encontra um cenário desencorajador com instalações pouco cômodas e escassa oferta gastronômica, entretanto o mistério o motiva. À medida em que ele se engaja na investigação, começa a duvidar da culpa do condenado, mas encontra pouquíssimas pessoas disposta a corroborar com seu argumento. Aparentemente Bentley não causa uma boa impressão nas pessoas.
Como salvar da forca um homem detestado por muito e que pouco se ajuda?

sábado, 3 de dezembro de 2016

Mundo Sem Fim - Ken Follett


Depois de ler Os Pilares da Terra no carnaval de 2015 eu fiquei obcecado com a história e com a genialidade narrativa de Follett, mesmo já conhecendo outros de seus livros. Foi, então, um desafio conseguir ler esse livro, sequência de Pilares, que está esgotado nas livrarias nacionais e mesmo nos sebos é difícil de ser encontrado, de modo que eu tive que comprá-lo em inglês, e encarar sua longa leitura — mais de 1000 páginas — em outro idioma. E eu recomendo, mesmo não sendo uma leitura simples, dada a qualidade literária e histórica do livro.
O primeiro livro se passa na Inglaterra do século XII, um período em que o trono estava sendo disputado por dois primos que levaram o reino ao caos. Em Mundo Sem Fim, duzentos anos depois, o plano de fundo histórico é o início da Guerra dos Cem Anos.
A história se passa no povoado de Kingsbridge, dominado pelos monges, mas que abriga um grande espectro de pessoas e profissionais, que se envolvem na política do reino, no comércio, na criminalidade, e, é claro, na arquitetura, um dos planos de fundo dos dois livros.
Os personagens centrais da trama são descendentes dos personagens do primeiro livro, e de certo modo, repetem as trajetórias de vida dos antepassados, lutando pela manutenção do poder do priorado, por construir grandes obras que afrontam os poderosos nobres regionais e lutando por seus amores e famílias.

Pela minha experiência com os demais livros do autor, sei que seu ponto alto são as ficções históricas, de modo que depois de ter lido estes dois livros e a trilogia O Século, não restam grandes obras (de meu interesse) em seu currículo, mesmo assim, eu recomendo a leitura de livros do autor.

sábado, 26 de novembro de 2016

As Vantagens de Ser Invisível - Stephen Chbosky


Quando uma amiga me indicou esse livro descrevendo-o como intenso e imprevisível, como se realmente houvesse alguém te contando uma história, eu imediatamente me movimentei para comprar e ler o livro.
Não me arrependi em nada.
Eu o selecionei para ser uma leitura muito especial, durante uma viagem de dois dias à São Paulo para minha defesa de mestrado (o livro pode ter me dado sorte, fui tudo bem e eu fui aprovado!).
A surpresa já começa pelo estilo narrativo, epistolar, em que o narrador personagem se apresenta como Charlie e conta suas experiências de vida durante um ano, seu primeiro no Ensino Médio, a um leitor desconhecido.
Charlie acabara de perder seu melhor amigo, Michael, que se suicidara poucos meses antes do início das cartas. Esse fato o marcou muito, embora não tenha sido o acontecimento mais triste de sua vida.
No início do ano, com uma nova organização escolar e sem amigos, Charlie tenta se adaptar e encontrar um novo grupo. Sua tentativa é mais difícil por causa de sua personalidade emotiva. Há inclusive várias cenas em que ele chora copiosamente durante diálogos e em público (algo muito incomum na cultura americana).
Charlie acaba se aproximando de Sam e Patrick, um casal de irmãos bastante insólito, que o levam para festas, o apresentam às bebias e ao cigarro, mas também o ajudam a superar algumas de suas "esquisitices".
Não há muito como descrever o livro sem revelar pontos importantes sobre o enredo, mas acredite: você precisar ler esse livro. Nem que seja só para diversificar sua experiência como leitor.

sábado, 19 de novembro de 2016

Lady Catherine, o Conde e a Verdadeira Downton Abbey - Condessa de Carnarvon


Como disse na postagem sobre o livro Lady Almina e a Verdadeira Downton Abbey, minha série preferida é Downton Abbey, o drama britânico sobre os moradores e criados de uma propriedade rural inglesa no início do século passado. Tanto que procuro ler tudo que se escreve sobre a série. Entre as minhas leitura estava o livro mencionado acima, em que a atual condessa de Carnarvon fala sobre a vida da bisavó de seu marido, o oitavo conde de Carnarvon.
A relação entre os Carnarvon e a série é que o conde e a condessa moram no cenário em que é filmado o seriado britânico, o castelo de Highclere.
A atual lady Carnarvon se aventura entre os documentos históricos, diários pessoais, livros e pesquisas para construir um relato histórico leve e interessante que registra em primeiro lugar a história dos ocupantes do castelo de Highclere no último século, através da perspectiva da sexta condessa, lady Catherine. Com o relato, nos dois livros, fica registrado também parte da história da Inglaterra e do mundo. Juntas, Almina e Catherine passaram por duas guerras mundiais, conflitos dentro do Império Britânico e disputas políticas nacionais.
Catherine, como a sogra, era americana, filha de uma família oligárquica, mas depauperada, e após rejeitar vários pretendentes na Inglaterra, fez um bom casamento com o herdeiro de Carnarvon. Entretanto acabam aí as semelhanças entre elas. Catherine viveu em uma época de reviravoltas em uma sociedade até então engessada, teve de tocar o castelo com menos empregados.

Como da vez anterior a condessa foi muito gentil ao me responder quando escrevi comentando sobre o livro, por outro lado, a Editora Intrínseca não manifestou vontade quanto a tradução desta sequência, de modo que a leitura só está disponível em inglês.