sábado, 24 de setembro de 2016

Misery: louca obsessão - Stephen King

Stephen King adora escrever sobre si mesmo. Muitos de seus personagens são construídos a partir de experiências vividas por ele, como deixar de fumar ou beber, lecionar, trabalhar em uma lavanderia, etc. A experiência pela qual passa o personagem deste livro, tenho certeza, ele preferiria evitar.
Paul Sheldon é um romancista famoso e bem sucedido. Seu problema é que ele odeia a personagem que lhe garante o sustento. Trata-se de Misery Chastain, uma heroína vitoriana cafona e demodé, que arrebentas nas vendas em brochura. Tudo na vida de Paul ia bem depois de ele conseguir matar a personagem. Ele até já havia finalizado um outro livro, sem todo o clichê da série Misery.
Mas aí ele sofre o acidente de carro durante uma tempestade de neve.
Quem o encontra é a ex-enfermeira Annie Wilkes, louca de pedra é Fã Número um de Misery, e por extensão, de Paul Sheldon.
Annie o arrasta para o próprio carro, leva até sua casa e o medica com uma droga a base de codeína.
Durante a penosa recuperação de Paul, ele se dá conta de alguns fatos que montam um cenário assustador: Annie é completamente louca; ele está viciado em analgésicos; eles estão isolados no campo durante uma sequência de tempestades de neve; Annie ainda não sabe que Misery morre no final do último livro; ela está lendo este livro.
À medida em que ganha mais poder sobre Paul, Annie demonstra ser altamente irritável, violenta e instável. Ela dá um showzinho particularmente convincente na manhã em que descobre o trágico fim de sua heroína literária.
Sua próxima jogada é previsível, ela tortura o escritor para que ele cria só para ela um livro em que Misery retorna dos mortos. O legal é descobrir os níveis de tortura que ela emprega, as estratégias de Paul para se livrar dela e se ele realmente consegue sair dessa.

Um detalhe é que, embora eu não tenha visto o filme e a descrição dos personagens seja um pouco diferente, eu não consigo deixar de imaginar Annie como uma Kathy Bates sádica e nefasta e Paul como um Stephen King mais jovem e atormentado.

sábado, 17 de setembro de 2016

Star Wars: O Herdeiro do Império - Timothy Zahn

Para os antigos fãs de Star Wars, o recente reavivamento do interesse e da produção sobre a franquia é como um brisa fresca em uma tarde quente. Para os novos fãs, é como um jorro de eletricidade pulsante.
Eu não sou o tipo de fã que sabe tudo sobre o universo expandido da série, mas curto bastante. Em O Herdeiro do Império, temos a oportunidade de rever velhos amigos em novas situações perigosas. Conhecemos também novos personagens para adorar odiar.
O autor faz um prefácio interessante, em que conta como foi para ele receber o convite para "continuar" a saga e o que ele espera dos novos filmes da franquia. Pra mim, ele fez um trabalho melhor do que o pessoal que transferiu para livro as histórias da trilogia original, lançada no Brasil pela Dark Side, em uma edição de luxo.
Falando sobre edições, o trabalho da editora Aleph neste livro também ficou excelente!
A nova história se passa cinco anos após a morte do imperador, em um cenário em que a Aliança Rebelde luta pra se estabelecer como Nova República, e as formas imperiais remanescentes lutam pra não perder o pouco espaço que ainda mantêm.
A nova (e final?) esperança dos imperiais é um brilhante almirante que junta ao seu redor uma grande força, coordenada com inteligência e estratégia. O almirante Thrawn é um alienígena de pele azul, olhos vermelhos e mente aguçada, que inspira tanto medo e respeito em seus subordinados quando Darth Vader.
Do outro lado, nossos velhos conhecidos Luke, Leia e Han fazem o seu melhor para não perder terreno na recém fundada república. Leia está grávida. De gêmeos. Futuros Jedis. Está também no meio de seu próprio treinamento Jedi, embora suas tarefas diplomáticas tendam a afastá-la do treinamento.
Han ocupa um cargo intermediário entre o diplomático e o militar na nova organização; e Luke, bem Luke, como único Jedi, está muito solitário e taciturno.
O grande desafio da nova saga está nos planos do almirante Thrawn, que planeja neutralizar a Força para retomar o antigo poder do império. O problema é que, além de ele já tem meios para por em prática seus planos, ele parece também ter muita sorte.

sábado, 10 de setembro de 2016

O Senhor Embaixador - Erico Verissimo

A obra de Erico Verissimo costuma ser comentada como tendo duas partes: antes e depois de O Tempo e o Vento, de modo que este livro se enquadra na metade dita de mais qualidade do autor, posterior a'O Tempo e o Vento. Eu, por outro lado, divido a obra do grande escritor gaúcho em três categorias: Os Primeiros Livros, Os Históricos e Os Outros; sendo Os Primeiros Livros marcados por um estilo em aperfeiçoamento, do início de carreira. Seriam como exercícios literários. Os Históricos, fortemente regionalistas, têm o Rio Grande do Sul como palco, a História como plano de fundo e audaciosos projetos como trama. Já os Outros, são livros que não se enquadra na inexperiência dos Primeiros Livros, mas não têm a robustez dos Históricos.
Este é um dos Outros.
A trama envolve em um paiséco fictício na América Central,  a ilha de Sacramento, imaginado a partir de retalhos da mirabolante história dos países reais da América Latina, marcado por indianismos, caudilhismos, revolucionários hipócritas e mulherengos, comunista fanáticos e intervenções estadunidense.
Dois personagens centrais conduzem os pontos de vista da história, Bill Godkin um jornalista aposentado especializado em cobris eventos na América Latina, e Gabriel Heliodoro embaixador de Sacramento em Washington.
Na primeira parte do livro, é descrito o fim da carreira de Godkin e o início da de Heliodoro, quando ele chega aos Estados Unidos, recebe as credenciais e se ambienta no fazer diplomático. É interessante, nessa parte do livro, a descrição do ambiente político na América do Norte, a diplomacia em plena Guerra Fria.
Nas partes seguintes, os protagonista têm de lidar com mais uma revolução em Sacramento.

sábado, 3 de setembro de 2016

O Preço da Vitória - Harlan Coben

Harlan Coben dá um novo fôlego para os romances policiais.
O gênero policial é um dos mais badalados do mundo literário, muito lido mundo afora, é também muito visado pelos escritores, o que leva a um grande número de publicações medianas. De tempos em tempos, surge um ponto fora da curva, como Stieg Larsson (da trilogia Millennium). Coben é um desses pontos. Seus personagens ricos e reais, suas cenas vívidas e ágeis, suas tramas intrincadas, com reviravoltas, mas sem exageros estilísticos e sua narrativa direta e fluida, o alçam ao panteão dos grandes escritores, lado a lado com Agatha Christie e Sir Arthur Conan Doyle.
Dentre os seus livros, meus preferidos são os protagonizados por Myron Bolitar, o ex-atleta que se dedica a agenciar estrelas do esporte e a resolver crimes envolvendo seus pupilos.
Este livro começa em um torneio de golfe, esporte detestado por Myron, mas fonte em potencial de clientes para sua agencia de representações. Durante uma partida, ele é abordado pelo sogro de um dos competidores, que lhe joga a bomba logo de cara: seu neto fora sequestrado e a filha e o marido estão pedindo a ajuda de Myron para encontrar o garoto.
O fato de a mãe do adolescente desaparecido também ser uma estrela do golfe só adensa a trama, embora não se compare com a confusão causada por seu parentesco com Win, violento melhor amigo de Myron, que tem péssimas relações com a família.
A investigação se dá muito naturalmente, mas cada revelação deixa a confusão ainda maior, envolvendo mais e mais a família de Win.

sábado, 27 de agosto de 2016

O Triunfo de Sharpe - Bernard Cornwell

O grande sucesso de Bernard Cornwell no exterior é a sua série original, As Aventuras de Sharpe, porém, no Brasil, sua série mais conhecida é a trilogia Crônicas de Artur. Contudo, dentre seus livros os meus preferidos são os das Crônicas Saxônicas.
Por isso, as aventuras de Sharpe não me agradam tanto.
Embora o sargento Richard Sharpe, do Exército de Sua Majestade durante as Guerras Napoleônicas, seja um personagem muito empático.
A empatia que o personagem desperta é devida ao quão humano ele é, com suas mesquinharias, ganâncias, raivas, desejos e valores (uma característica não rara nas obras de Cornwell, que busca mostrar o melhor e o piro do ser humano em seus personagens.). 
Nesse segundo volume da série, Sharpe continua na Índia, cumprindo as missões mais arriscadas designadas pelo oficiais.
No final do último livro, Sharpe era dado como morto, mas retorna ao exército britânico como um herói impossível, por ter escapado da morte e sido o responsável pela grandiosa vitória contra o sultão Tipu. Secretamente, ele também volta rico, após saquear o cadáver do sultão e levar seu incrível rubi.
Dessa vez, a missão de Sharpe é capturar um traidor do exército britânico, o major William Dodd

Eu ainda não pude assistir à série televisa feita a partir da adaptação das histórias dessa série literária, mas tenho muita vontade. Embora seja um pouco antiga, a crítica é muito elogiosa a respeito dos livros, e o ator que a estrela é o famoso Sean Bean, também visto em O Senhor dos Aneis e Game of Thrones.

sábado, 20 de agosto de 2016

Amar de Novo - Danielle Steel

O livro foi escrito e se passa na década de 1980, quando sequestros estavam na moda na Europa, por motivos políticos e financeiros.
Isabella e Amadeo di San Gregorio são um casal apaixonado, que dirigem juntos uma das maiores maison do continente. Vivem felizes e conseguem manter o convívio familiar com o filho, apesar do intenso trabalho na indústria da moda, a ponto de estarem planejando uma segunda gravidez.
É em um momento de felicidade, então, que a desgraça abate os di San Gregorio. 
Numa sexta-feira Amadeo é sequestrado. No mesmo dia, Isabella recebe um pedido de resgate impossível, dez milhões de Euros. Ela é advertida para não contatar a polícia italiana, mas o faz. Na segunda o corpo do marido é encontrado e o mundo de Isabella vem abaixo.
A partir de então, os desafios dela passam a ser continuar a viver, "não deixar a peteca cair", dar suporte ao filho tocar a empresa e, finalmente, reencontrar o amor.

Sempre que posto sobre um livro da Danielle Steel, advirto sobre o estilo: água com açúcar. Outro dia um amigo me perguntou se os livros do Nicholas Sparks não ficavam todos chovendo no molhado. E é verdade, tanto ele quanto a Danielle escrevem muito sobre o mesmo. Mas o que conta, pra mim, é o como eles escrevem. De que forma contam a história.
Isso posto, ressalto que este não é o melhor livro da autora. A narrativa me pareceu fraca e a história (como esperado) manjada.
Mesmo assim, avoluma muito bem na minha biblioteca, junto com os outros dez da autora.

sábado, 13 de agosto de 2016

Getúlio 1930-1945: do governo provisório à ditadura do Estado novo - Lira Neto

Disse uma vez o grande estadista: "O período ditatorial tem sido útil, permitindo a realização de certas medidas salvadoras, de difícil ou tardia execução dentro da órbita legal. A maior parte das reformas iniciadas e concluídas não poderia ser feita em um regime em que predominasse o interesse das conveniências políticas e das injunções partidárias".
E é essa a frase escolhida pelo autor como epígrafe para esse segundo volume da trilogia biográfica sobre Getúlio Vargas, livro dedicado ao período de quinze anos em que Getúlio exerceu poderes ditatoriais.
No livro anterior, Neto revela o caminho até o poder, em um golpe de estado, uma revolução que instaura o Governo Provisório, em que foram dissolvidas as câmaras legislativas e destituídos os governadores e prefeitos.
Nesses primeiros anos de Governo Provisório, Getúlio enfrentou muita crítica da oposição e da imprensa, teve de lidar com correligionários beligerantes e com as revoltas em seu estado natal, Rio Grande do Sul, e em São Paulo, terra de Washintgnon Luis, presidente deposto pelo golpe getulista.
Também nesse período, ele deu mostras de sua brutalidade no trato com a oposição e de seu populismo, que lhe garantia o apoio popular. Tem destaque nesses primeiros anos, a conquista voto feminino, garantida universalmente por Getúlio no Brasil antes de ocorrer em países "avançados", como a França.
Sua popularidade e sua força política lhe garantiram a eleição constitucional para presidente. Getúlio não poderia deixar de aproveitar o ensejo e, gradativamente, enrijecer e consolidar o regime que conduziria ao Estado Novo, uma ditadura violenta, mas que obteve altos índices em indicadores sócio-econômicos. Um paradoxo brasileiro.