sábado, 20 de agosto de 2016

Amar de Novo - Danielle Steel

O livro foi escrito e se passa na década de 1980, quando sequestros estavam na moda na Europa, por motivos políticos e financeiros.
Isabella e Amadeo di San Gregorio são um casal apaixonado, que dirigem juntos uma das maiores maison do continente. Vivem felizes e conseguem manter o convívio familiar com o filho, apesar do intenso trabalho na indústria da moda, a ponto de estarem planejando uma segunda gravidez.
É em um momento de felicidade, então, que a desgraça abate os di San Gregorio. 
Numa sexta-feira Amadeo é sequestrado. No mesmo dia, Isabella recebe um pedido de resgate impossível, dez milhões de Euros. Ela é advertida para não contatar a polícia italiana, mas o faz. Na segunda o corpo do marido é encontrado e o mundo de Isabella vem abaixo.
A partir de então, os desafios dela passam a ser continuar a viver, "não deixar a peteca cair", dar suporte ao filho tocar a empresa e, finalmente, reencontrar o amor.

Sempre que posto sobre um livro da Danielle Steel, advirto sobre o estilo: água com açúcar. Outro dia um amigo me perguntou se os livros do Nicholas Sparks não ficavam todos chovendo no molhado. E é verdade, tanto ele quanto a Danielle escrevem muito sobre o mesmo. Mas o que conta, pra mim, é o como eles escrevem. De que forma contam a história.
Isso posto, ressalto que este não é o melhor livro da autora. A narrativa me pareceu fraca e a história (como esperado) manjada.
Mesmo assim, avoluma muito bem na minha biblioteca, junto com os outros dez da autora.

sábado, 13 de agosto de 2016

Getúlio 1930-1945: do governo provisório à ditadura do Estado novo - Lira Neto

Disse uma vez o grande estadista: "O período ditatorial tem sido útil, permitindo a realização de certas medidas salvadoras, de difícil ou tardia execução dentro da órbita legal. A maior parte das reformas iniciadas e concluídas não poderia ser feita em um regime em que predominasse o interesse das conveniências políticas e das injunções partidárias".
E é essa a frase escolhida pelo autor como epígrafe para esse segundo volume da trilogia biográfica sobre Getúlio Vargas, livro dedicado ao período de quinze anos em que Getúlio exerceu poderes ditatoriais.
No livro anterior, Neto revela o caminho até o poder, em um golpe de estado, uma revolução que instaura o Governo Provisório, em que foram dissolvidas as câmaras legislativas e destituídos os governadores e prefeitos.
Nesses primeiros anos de Governo Provisório, Getúlio enfrentou muita crítica da oposição e da imprensa, teve de lidar com correligionários beligerantes e com as revoltas em seu estado natal, Rio Grande do Sul, e em São Paulo, terra de Washintgnon Luis, presidente deposto pelo golpe getulista.
Também nesse período, ele deu mostras de sua brutalidade no trato com a oposição e de seu populismo, que lhe garantia o apoio popular. Tem destaque nesses primeiros anos, a conquista voto feminino, garantida universalmente por Getúlio no Brasil antes de ocorrer em países "avançados", como a França.
Sua popularidade e sua força política lhe garantiram a eleição constitucional para presidente. Getúlio não poderia deixar de aproveitar o ensejo e, gradativamente, enrijecer e consolidar o regime que conduziria ao Estado Novo, uma ditadura violenta, mas que obteve altos índices em indicadores sócio-econômicos. Um paradoxo brasileiro.

sábado, 6 de agosto de 2016

Dois livro para não ler

Já reconheci algumas vezes que tenho a tendência de só postar comentários sobre bons livros; isso porque o objetivo do blog é incentivar a leitura.
Entretanto, também já disse que a leitura também pode ser incentivada pela contraindicação de livro ruins, assim, os leitores não perdem tempo com livros chatos que podem desestimulá-los de continuar lendo.
Trago hoje dois livros que caíram na minha mão e deixaram minhas horas de leitura menos alegres: O Traidor, de Jimmy Breslin e O Homem do Mar de Joaquim Nogueira.
O Traidor é um daqueles romances sobre a máfia que os americanos parecem gostar tanto. 
O problema é que é chato. A trama básica se passa durante o julgamento de um integrante da máfia, na segunda metade do século XX (o que já colabora para se perder quase todo o charme), em que o personagem-narrador revive momentos de sua carreira no crime organizado.

O Homem do Mar é um romance policial do tipo noir. Só isso já o suficiente para me fazer torcer o nariz. A história basicamente é sobre um homem que é baleado em um canto escuro de uma cidade perigosa e, mesmo depois de cinco tiros, continua vivo. 

Ele usa como estratégia para não perder a consciência atormentar o leitor com reminiscências sem sentido sobre acontecimentos de sua vida que o levaram até aquele momento degradante.

De um modo geral, a literatura pode mostrar o melhor e o pior da humanidade. Esses dois se dedicam a falar sobre o pior, mas de uma maneira entediante.

sábado, 30 de julho de 2016

Rose Madder - Stephen King

Rose McClendon Daniels vive um casamento que é um pesadelo. Há catorze anos ela é a esposa de Norman Daniels, um policial cujo hobby é espancar a mulher. Nas mãos dele ela já perdeu três dentes, teve o pulmão perfurado por uma costela quebrada, e, de tanto levar golpes nas costas, teve os rins danificados de tal modo que se acostumou a encontrar traços de sangue na urina. Mas a pior das agressões foi a que culminou em um aborto, nove anos antes de ela perceber que se não interrompesse aquilo, ele a mataria.
Um dia, por causa de mais uma surra como tantas outra antes, ela tem uma epifania motivada por uma gota de sangue, seu sangue, manchando o lençol da cama, e resolve mudar o rumo de sua vida.
No meio da manhã, enquanto arrumava a casa, ela decide ir embora. De vez. Sim, porque se ela voltasse depois de fugir, ou se ele a recapturasse, seria o fim.
Ela então sai de casa com a roupa o corpo, o cartão do banco dele e a determinação de salvar a própria vida. No caminho, várias vezes tem de lutar contra o medo de ser pega no pulo, e ao alcançar a rodoviária, mal tem noção de para onde está indo. Para longe, é a única certeza.
Em uma nova cidade, perdida em meio à confusão de uma metrópole, ela encontra o improvável: boas pessoas dispostas a ajudar, e outras mulheres em situação semelhante à dela. Com o apoio de uma organização chamada Filhas & Irmãs, cujo objetivo é amparar mulheres vítimas de violência doméstica, abrigando-as e lhes encontrando empregos, Rose recomeça sua vida, novamente como Rosie McClendon.
Norman, por outro lado, não consegue continuar sua vida e lidar com a rejeição. Ele tem a compulsão de caçar a mulher e dar-lhe uma lição.

sábado, 23 de julho de 2016

Assassinato na Casa do Pastor - Agatha Christie


Um dia antes de o coronel Protheroe quatro pessoas fazem ameaças veladas contra ela, incluindo o pastor de St. Maey Mead — em cuja casa é encontrado o corpo e que narra a história —, que logo no primeiro capítulo desabafa em um almoço de família que o mundo seria um lugar melhor sem a presença do coronel.
A filha, e herdeira, do coronel, Lettice, também comenta que as vezes tem vontade de matar o pai; além da esposa, madrasta de Lettice, e de seu amante, o pintor Lawrence Redding, que já entrara em atrito com o coronel diversas vezes.
A própria Miss Marple, imune a qualquer suspeita, reconhece que é de pouco se lamentar a perda de uma figura tão odiosa. É também na presença de Miss Marple (que afa sua estreia neste romance, como uma velhinha xereta e tagarela) que é comentado o fato de a primeira mulher do coronel tê-lo abandonado anos antes.
A autora, então, incrementa a história colocando detetives profissionais e amadores, entre os quais o narrador, Pastor Clement, e a adorável Miss Marple, para investigar o caso, em que vários são os suspeitos, e mais de uma pessoa confessa o crime. 

Assassinato na Casa do Pastor foi o décimo segundo livro publicado por Agatha Christie, dez anos depois de sua estreia. Além de ser destacado por ser a primeira aparição de Miss Marple, chama a atenção pela capacidade da história de não se desgastar, mesmo oitenta e cinco anos depois de usa publicação original.

sábado, 16 de julho de 2016

Nêmesis - Isaac Asimov

Isaac Asimov foi um dos grandes nomes que ajudaram a consolidar a ficção científica como um gênero respeitável no século XX — ao lado de Arthur Clarke, Philip K. Dick e H. G. Wells (que publicou seus clássicos ficção científica nos últimos anos do século XIX, mas influenciou muito o que se escreveu nas décadas seguintes). Suas histórias de expansão espacial e suas três leis da robótica fazem parte do imaginário popular e estão sempre presentes no gênero, nas obras que o sucederam.
Uma das características que mais me admira na obra dele, além da simplicidade de ir direto ao ponto, é a imaginatividade que misturou inteligência artificial, astronomia e política antes da era da internet, e continua atual.
Na década de 1980, Asimov já escrevia sobre o colapso da Terra, não por guerras e pragas, mas por degradação da natureza. Também é marcante, neste e em outros livros seus, a péssima estima (ou até fé) que ele tinha pela sociedade humana, pela cultura humana, tal qual a conhecia.
Em Nêmesis, o autor nos leva a um futuro em que o homem superpovoou nosso planeta até não poder mais; ainda não encontrou outros planetas habitáveis para migrar, mas desenvolveu tecnologias capazes de sustentar a vida humana em bolhas espaciais, super naves que orbitam os planetas no nosso sistema solar, livrando a Terra de parte da população.
As colônias, entretanto, também já estão saturadas. Sem possibilidade de manutenção do sistema vigente, a sociedade começa a lançar olhos para os planetas que orbitam outras estrelas além do Sol.
Nêmesis seria uma dessas estrelas, desconhecida pela maior parte dos astrônomos, seria uma estrela irmã ao nosso sol, mais próxima de nós, e é a escolhida para ser a primeira a receber uma das colônias.
A partir desse roteiro, Asimov constrói uma história sobre lutas, tecnologia, psicologia, espionagem, guerra e amor.

sábado, 9 de julho de 2016

A Casa Pintada - John Grisham

Esse livro desfaz dois esteriótipos, o dos Estados Unidos como um país intensamente urbanizado, moderno, a terra do progresso, e de que John Grisham só escreve sobre advogados.
A Casa Pintada é a história de Lucas Chandler, um garoto de sete anos do Arkansas. A história, que remete à infância do autor, se passa na década de 1950, em uma fazenda de algodão. A família Chandler arrenda a terra de um rico latifundiário para sua plantação de algodão, para sua moradia e alguma plantação de subsistência.
Pelos olhos de Luke, e sua compreensão ingênua de criança, conhecemos o dia a dia de uma família humilde, formada pelos avós e pais de Luke, por ele mesmo e por um tio que está na guerra da Coreia.
Luke, embora jovem, já participa da lida com a terra, desde o preparo, ao plantio e à colheita da safra de algodão. Ele descreve como era dura a tarefa de colher o algodão manualmente, sob o sol forte, durante todo o dia. Ele também revela a relação com os trabalhadores contratados especificamente para o período de colheita, quando o esforço da família não era suficiente para todo o trabalho, e eles precisavam contratar imigrantes mexicanos e habitantes de outras cidades.
Vemos como Luke apreende o mundo, através do rigor e da religiosidade de uma família de batistas; como ele passa a conhecer o mundo e perde parte de sua inocência; como ele enfrenta a desilusão, a pobreza, a violência e o medo.
Grisham é um grande escritor contemporâneo, muito respeitado por outros escritores e querido pelo público, dos quatro livros dele que li até agora, só não gostei de um, mas continuo curioso para ler outros, como o clássico A Firma, um dos primeiros sucessos do autor, e que também foi adaptada para um ótimo seriado homônimo.