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sábado, 11 de junho de 2016

Anna Kariênina - Liev Tolstói


"Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira."
Esta é uma das aberturas de livro mais famosas de todas. A história que a segue também é bem conhecida, embora poucos a tenham lido.
Os romances russos têm fama de terem infindáveis personagens, esta não foge à regra. A edição que eu tenho vem com uma lista de mais de 200 personagens, sendo oito os centrais e dois os principais. Há que se fazer justiça, pois a trama é rica e coesa, amarrando bem as histórias dos personagens; sem contar que há espaço nas mais de oitocentas páginas para tanta história.
Falando no número de páginas, me chamou a atenção que se passam mais de setenta até que entrasse em cena a personagem que dá nome ao livro.

A famosa abertura se refere ao livro todo, mas no primeiro capítulo, ela se refere a Stiepan Arcáditch Oblónski um nobre moscovita semifalido. Stiepan Arcáditch é, como muitos dos nobres da Rússia Czarista, funcionário público, tendo conseguido seu cargo por indicação; ele também é uma celebridade em Moscou, conhecido por todos, parente da maioria da fina nata da sociedade; mais de uma vez o autor descreve cenas em que o personagem é recebido por sorrisos e cumprimentos efusivos de todos, onde quer que vá. Ele só está em maus lençóis em casa, onde sua esposa, Dária (Dolly) Aleksandróvna, acaba de descobrir sua infidelidade com a governanta.
Em meio a toda essa confusão conjugal, Anna Arcádievna Kariênina, irmã de Stiepan, chega de São Petersburgo para visitar a família do irmão. Sua chega é providencial, pois ela vem para acalmar a cunhada e convencê-la a voltar a conversar com o marido.
Ainda antes de voltar para casa, Anna frequenta a casa dos pais de Dolly, os Cherbátsky, onde fica muito amiga de Kitty, as irmã mais nova da cunhada. De carona com os dramas de Kitty, vemos a trama se adensar: ela é uma jovem casadoura, e, portanto, vive cercada de pretendentes, entre os quais se destacam Konstantin Liévin e o conde Vrónsky. O primeiro, embora dono de boa parte do afeto da jovem Kitty tem seu pedido de casamento rejeitado porque ela se sentia mais atraída pelo conde, e acreditava que este também lhe proporia em breve.
Acontece que Anna, inconscientemente atrapalha os planos da jovem concunhada, atraindo para si as atenções do conde. Com isso, ela que viera resolver um conflito matrimonial acaba sendo dragada para outro, pois acaba correspondendo às atenções de Vrónski, a despeito do casamento seguro, convencional e confortável.
A partir daí, o livro processe, dividido em oito parte, acompanhando a vida de seus personagens, tendo como foco ora o caso entre Anna e Vrónski, ora a relação de Liévin com Kitty.

Esse livro é um exemplo perfeito dos clássicos da literatura: de alta qualidade, mas denso. Ou seja, não é aconselhável para qualquer leitor, há que se ter uma certa bagagem literária.
Eu particularmente adorei a leitura, mesmo tendo arrastado-a por semanas.

sábado, 31 de outubro de 2015

O Homem Invisível - H. G. Wells


Conheci H. G. Wells no ano passado, e já na primeira leitura, me tornei um fã. Li em pouco tempo A Ilha do dr. Moreau e  Máquina do Tempo, e pretendo relê-los algumas vezes. Em seguida li A Guerra dos Mundos, a coletânea de contos O País dos Cegos e, agora, O Homem Invisível. Desses três últimos, gostei menos, não tenho vontade de reler, mas não me arrependo de tê-los em minha biblioteca.
A crítica argumenta que nesse livro, Wells peca por falta de originalidade, por ser o tema da invisibilidade. Por outro lado, há quem argumente que a grande sacada do autor foi ter criado uma explicação e um contexto científico para o fenômeno, um característica de sua obra.
O fato é que a partir de sua publicação, cada novo homem invisível criado, seja em outros livros, em quadrinhos, na TV ou no cinema, deve honras a H. G. Wells e a seu livro do final do século XIX.
Na história, um misterioso homem chega a uma pensão em uma pequena cidade do interior da Inglaterra. Ele atiça a curiosidade de todos no local por sua aparência exótica e por seu comportamento arredio. Ele chega trajando sobretudo, botas, luvas, cachecol e chapel, indumentária comum no inverno britânico, se não fosse pelos óculos escuros e pelas faixas que lhe recobrem todo o rosto.
Apesar de ser bem recebido, ele se comporta de modo bem grosseiro, dispensando todas as atenções e todos os curiosos.
A princípio, ele parece bem disposto a gastar seu dinheiro na estalagem, mas à  medida que o tempo passa e que seus experimentos químicos falham, ele se vê sem capital e surta.
É a partir daí que descobrimos o homem invisível, sua inovadora pesquisa em física e os estragos que ele fez a si mesmo.

sábado, 29 de agosto de 2015

A Inquilina de Wildfell Hall - Anne Brontë

Há cerca de um ano, eu li O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë e me apaixonei pela história, embora tenha detestado a tradução da Martin Claret. De fato, detestei tanto que antes de terminar a leitura, comprei a edição em inglês. Esse livro vinha com um romance de cada uma das três irmãs Brontë (Jane Eyre de Charlotte e Agnes Grey de Anne).
Depois de ler um livro de cada irmã, me tornei fã incondicional!
Venho, desde então, procurado por mais livros delas. É uma pena Emily só ter escrito um e Anne dois.
Outra lástima é a dificuldade para se encontrar (boas) traduções das obras das Irmãs Brontë. Por isso, tive que apelar também para uma versão britânica de A Inquilina de Wildfell Hall.
A história se passa, como de hábito, em uma comunidade rural da Inglaterra vitoriana, e gira entorno de Helen, a misteriosa nova moradora de Widfell Hall. Ela chega à propriedade com seu filho, alegando ser viúva.
Helen mantém a si a seu filho com os quadros que pinta e vende, e embora seja muto pacata e de fácil convívio, começa a ser alvo de maliciosos comentários devido a seus hábitos reclusos.
A situação se complica quando um morador local, o narrador, se apaixona por ela, a despeita da sutil relação que já mantinha com uma moça local. Para calar as suspeitas e aquietar seu correspondido admirador, ela entrega a ele seu diário, em que relata a sua traumatizante relação conjugal.
Embora a maior parte do livro seja constituída da leitura do diário de Helen, minha parte preferida é o início, suja chegada à nova região.

sábado, 11 de julho de 2015

A Guerra dos Mundos - H. G. Wells


Imagine que de repente caia do céu, nos arredores de sua cidade, um cilindro desconhecido. Todos se dirigem ao local de impacto e veem sair de lá formas de vida desconhecidas, alienígenas. Uma delegação de autoridades locais se dirige rumo à cratera para dar as boas vindas aos seres extraterrestres, e, embora portem uma bandeira branca, são fulminados com um raio de calor que incendeia casas inteiras, evapora rios e lagos, liquefaz grandes estruturas metálicas e carboniza corpos humanos.
Imagine o pânico que se generaliza quando a cidade começa a ser destruída, quando o exército e as forças de segurança que tentam por fim à destruição falham e são dizimados juntamente com a população local.
Imagine o diâmetro do caos se alargando à medida que você tenta escapar da morte certa. A desinformação e a perplexidade nas cidades vizinhas, com as disparatadas notícias que chegam. O medo que toma conta daqueles que tentam salvas seus entes queridos.
Agora imagine tudo isso acontecendo no final do século XIX, antes da internet, da televisão, das bombas atômicas, da globalização da informação. É mais ou menos esse o cenário das primeiras páginas desse livro que tanto inspirou a ficção científica.
Eu, por exemplo, não consigo deixar de associar as temíveis máquinas trípodes que disparam o raio de calor com aquele primeiro episódio do desenho animado Liga da Justiça, em que Superman, Batman, Lanterna Verde e seus amigos enfrentam uma terrível invasão alienígena. Esse episódio foi baseado no livro de H. G. Wells.

Em comparação com outros livros do autor, esse é mais fraco no quesito narrativa, mas mesmo assim, é  um livro que vale a pena ler.

sábado, 23 de maio de 2015

A Máquina do Tempo - H. G. Wells

Depois de ler e me impressionar com A Ilha do dr. Moreau, comprei e logo li A Máquina do Tempo, ainda que temendo não encontrar a mesma qualidade literária.
Embora este romance seja anterior à Ilha, é do mesmo calibre. O leitor que começar por um ou pelo outro, com certeza, procurará ler mais do autor.
E mais, há que se levar em conta a beleza e a qualidade da edição e da tradução. A Alfaguara, que publica esse livro (bem como outros livros do mesmo autor — A Ilha do dr Moreau; O Homem Invisível; A Guerra dos Mundos — e de autores como Vladmir Nabokov, que escreveu Lolita, e Ian Fleming, criador do 007) é um selo da editora Objetiva, que foi comprada pelo grupo espanhol Santillana, que hoje pertence ao conglomerado multinacional Penguin Random House. Eu fiz questão de mencionar essa internacionalização da editora porque desde que ela foi comprada, ela vem crescendo no mercado brasileiro. Mais sobre a história da editora pode ser lido no próprio site.
Tudo isso, pra dizer o quão caprichada é a edição desse livro (bem como dos demais citados).
Na história, o personagem, conhecido apenas como Viajante no Tempo, desenvolve, com base na matemática e na engenharia, uma máquina capaz de se mover no tempo, a quarta dimensão (sendo as outras três referentes ao espaço). Como teste, ele viaja até o ano 802701, e encontra o mundo transformado. Quase não há sinais de humanidade. Há, entretanto, os Elóis, pacíficos e dóceis humanoides que recebem o Viajante com uma curiosidade passageira.
Com o passar dos dias, o Viajante nota uma segunda raça de humanoides, os Morlocks, ferozes predadores que se alimentam dos Elóis.
Ao mesmo tempo em que é ficção científica, é também uma alegórica paródia da sociedade pós-industrial.

sábado, 2 de maio de 2015

Lolita - Vladimir Nabokov

O livro se tornou tão famoso que o próprio termo dispensa apresentações. Entretanto o nome do autor só é conhecido em círculos literários, mas é muito bem quisto nesses círculos, pois a qualidade de sua obra é um grande feito.
Já há muitos anos eu ensaiava ler esse livro, mas recentemente a vontade ser tornou maior, pois dois amigos o leram e recomendaram. Por sorte, eu encontrei essa edição da Alfaguara bem baratinha.
Logo no começo minha reação foi "Ual!", devido ao alto padrão do vocabulário. A primeira vez que me surpreendi foi logo no prefácio, em que o narrador é descrito como laboriosamente idiossincrático.
À medida que eu avançava pelos longos parágrafos do livro percebia que ele não seria bem como eu imaginara. Eu esperava ler a história de Lolita, uma jovem menina-adolescente que se envolve com um homem mais velho. No entanto o livro é, na verdade, sobre um homem adulto, Humbert Humbert (que em é tão velho — está na casa dos trinta), que é obcecado pelo que chama de "meninas púberes", jovens entre 12 e 14, na transição entre a infância e a adolescência.
O livro é escrito em primeira pessoa, e Humbert descreve toda sua vida até encontrar Lolita. De seus primeiros amores, ao como ele não se sente atraído por mulheres adultas.
Embora seja considerado um romance erótico, há polca menção ao sexo, sem cenas de explicita vulgaridade, não obstante, foi o suficiente para chocar a muitos nos anos 1950.
Mais marcante que o teor sexual (ou a sugestão do apelo sexual) é a obsessão absoluta de Humbert por menininhas.

O livro conta com um prefácio escrito pelo próprio Nabokov, mas atribuído a um fictício amigo de Humbert, que adverte "[...] ainda mais importante [...] é o impacto ético que o livro há de ter sobre o leitor sério; pois neste pungente estudo pessoal oculta-se uma lição para todos; a criança obstinada, a mãe egoísta, o maníaco ofegante — não são meros personagens vivamente descritos numa  história singular: eles nos advertem contra tendências perigosas; eles nos apontam males poderosos. Lolita devia fazer com que todos nós — pais, assistentes sociais, educadores — nos dedicássemos com vigilância e consciência ainda maiores à tarefa de criar uma geração melhor  num mundo mais seguro".

sábado, 25 de abril de 2015

A Ilha do dr. Moreau - H. G. Wells

Há muito tempo ensaio para ler esse livro, mas sempre postergava a leitura. Cheguei a comprar o livro e deixá-lo esperando na estante até a “hora certa”. Em um belo sábado, senti que era chegado o momento.
Comecei a ler no sábado e terminei no domingo, lendo boa parte durante a noite. Só me arrependi de não ter começado a ler antes. Logo ao terminar, já comprei também outros livros do mesmo autor, pois vale a pena.
Em a Ilha do dr. Moreau, conhecemos Edward Prendick, que após naufragar, vive os maiores tormentos de sua vida. Ele é conduzido a uma ilha misteriosa e pouco conhecida, embora sua presença não seja desejada lá.
Na ilha, ele tem contato Montgomery e o doutor Moreau, os únicos habitantes do lugar. Ou melhor, os únicos habitantes verdadeiramente humanos, pois gradativamente, Prendick  conhece outras pitorescas figuras que vivem ali. Tratam-se de criaturas humanóides, mas com modos animalescos.
À medida que conhece melhor a ilha e hábitos dos moradores, o náufrago é tomado, cada vez mais, por um medo nascente da desconfiança dos métodos utilizados por Moreau em suas pequisas.
A certa altura, ele se lembra de um célebre pesquisador que fora exilado por suas técnicas pouco ortodoxas e por sua obsessão de transformar animais em humanos por meio da vivissecção, que mistura cirurgia mutiladoras e hipnose.
O livro tem uma narrativa perturbadora e instigante, levando o leitor a conjecturar junto com o personagem. Também ressalto o potencial pedagógico do livro, devido aos conceitos científicos que ele utiliza.

O escritor britânico Herbert George Wells nasceu em 21 de setembro (assim como Stephen King) de 1866. Era filho de um pequeno comerciante e trabalhou desde muito novo. Ingressou na carreira universitária e estudou biologia com Thomas Huxley, mas se tornou jornalista e escritor profissional.
Escreveu mais de uma centena de livros, entre romance, ensaios, textos educacionais e contos, mas ficou famoso mesmo com sua ficção científica.

sábado, 25 de outubro de 2014

Noites Brancas e Outras Histórias - Fiódor Dostoiévski

Como personagem central se tem o Sonhador, que em uma das noites brancas da capital São Petersburgo apaixona-se por Nástienka. Nesta obra, diferentemente de outras, em que a preocupação social é a diretriz para o enredo, desta vez encontramos um Dostoiévski romântico, lúdico. O personagem principal, que ao contrário das versões teatrais e cinematográficas, não tem nome, vaga errante pela "noite branca" de São Petersburgo.
"Noite branca" refere-se a um fenômeno comum na Europa em que, mesmo com o Sol se pondo ele permanece um pouco pouco abaixo da linha do horizonte,deixando a noite clara, causando uma atmosfera onírica. Um encontro casual muda completamente a vida do até então solitário protagonista: conhece a ingênua e também sonhadora Nástienka, que aos prantos, espera aquele a quem um ano antes tivera prometido o seu amor. 
Além da história que dá nome ao livro, há ainda nesta edição outras histórias curtas do escritor russo.

sábado, 23 de agosto de 2014

Os Sofrimentos do Jovem Werther – Johan Wolfgang von Goethe



O primeiro livro que leio do famoso escritor alemão foi também o primeiro de sua carreira.
A história, escrita de forma epistolar, é dividida em duas partes, na primeira, o protagonista, Werther, conta, por meio de suas cartas ao amigo Wilhelm, sobre uma viagem que está fazendo; ele se retirara do ambiente natal para viver em uma pequena vila campestre. Nesse lugar, ele conhece Charlotte, Lotte, por quem se apaixona, a despeito de ela ser noiva.
Na segunda parte, há também cartas à Lotte e intervenções do editor (algum amigo de Werther que, após a sua morte, se põe a reunir os fatos do livro), no sentido de especificar fatos que não ficam claros apenas pelas cartas, recorrendo a relatos de testemunhas e anotações particulares do protagonista.
Consta que a inspiração para a escrita foi a própria paixão de Goethe por Charlotte Buff, noiva de um amigo.
Também é sabido que a obra, fortemente psicológica, pois o personagem abre sua mente e seus infortúnios ao leitor, teve grande repercussão na Europa, elevando Werther a status de herói e influenciando outros em situação parecida à do personagem a também se suicidarem.
Apenas para finalizar, segue o trecho, essencialmente macabro, em que são descritos os momentos finais de Werther:
“Quando o médico chegou, o infeliz estava no chão. Não havia salvação para ele; embora o pulso ainda batesse, todos os membros estavam paralisados. Havia atirado na cabeça, acima do olho direito, e os miolos saltaram para fora [...] A mancha de sangue que se via no espaldar da poltrona indicou que Werther estava sentado à sua escrivaninha quando disparou a arma; que em seguida tombara e, debatendo-se na convulsão, rolara ao lado da cadeira. Estava estendido de costas, perto da janela, e não teve mais forças para fazer qualquer movimento.”

sábado, 28 de junho de 2014

A Letra Escarlate - Nathaniel Hawthorne

Ando meio desmotivado pra fazer resenhas... mas esse livro merece.
Merece porque foi meu 700º livro lido (rumo a mil antes do doutorado!), e porque estou numa vibe “clássicos da literatura” (A Letra Escarlate foi antecedida por O Morro dos Ventos Uivantes – Emily Brontë – e será sucedida por Os Sofrimentos do Jovem Werther – de Goethe).
Também foi o primeiro livro que eu li que retrata o modo de vida dos puritanos (patriarcas da América); embora o livro tenha sido escrito em 1850, a história se passa no século XVII.
No livro, Hawthorne (considerado o primeiro grande autor americano) conta a história de Hester Prynne, uma jovem peregrina que veio ao novo continente estabelecer-se e aguardar a vinda de seu marido que permanecia na Europa. Porém, o Sr. Prynne se demora a ponto de todos imaginarem que ele teria morrido.
Apesar disso Hester engravida! Um choque para os puritanos (que são como crentelhos nível hard). Assim, como ela se nega a revelar quem foi seu cúmplice no terrível crime do adultério, ela é condenada a usar, pelo resto de seus dias, o distintivo de sua mácula, uma letra A vermelha (A de adultera).
Uma das melhores partes do livro é logo no começo, quando Hester está recebendo a letra escarlate – uma punição em praça pública – e seu marido chega na cidade. Porém, o narrador não conta logo de cara quem é o misterioso cavalheiro que reconhece Hester no pelourinho, o que cria um clima de mistério bem legal.
Também é muito interessante a convivência entre marido traído e amante incógnito. Este permanece desconhecido por bastante tempo e é outro choque, por se tratar de uma figura tão importante na sociedade puritana.
De um modo geral é um livro que vale a pena ser lido. A narrativa é simples, mas bela, o enredo é empolgante e o livro é curtinho.

sábado, 15 de março de 2014

O Médico e o Monstro - Rober Louis Stevenson

O livro é um do maiores clássicos do terror (tanto na literatura quanto no cinema), ao lado de Frankenstein ou o Moderno Prometeu de Mary Shelley e Drácula, o Vampiro da Noite de Bram Stoker.
A obra (que é curtíssima) conta a estória pelo ponto de vista de Utterson, advogado e amigo de Dr. Jekyll, com quem começa a preocupar-se em virtude de um estranho testamento, assim como por seu gradual afastamento. 
Mas antes de chegar a esse ponto, Utterson toma conhecimento de um certo Mr. Hyde, que estria pela cidade com um comportamento agressivo. O pior para Utterson era que Hyde era o único beneficiário do testamento de Jekyll, e ele temia que isso poderia por o amigo em problemas.
A situação fica insustentável quando Hyde assassina um famoso nobre de Londres, e passa a ser procurado.
A trama (de grande sucesso) costuma ser descrita como simples, não possuindo muitos personagens, nem reviravoltas mirabolantes, com narrativa linear e estável. Entretanto, cabe neste romance alguma interpretação psicológica, devido aos temas subjetivos abordados.
Acima de tudo, é um bom livro!

sábado, 8 de março de 2014

O Príncipe Otto - Robert Louis Stevenson

Um livro pouco difundido no Brasil, O Príncipe Otto foi escrito logo após o famoso e bem sucedido (lido/vendido) A Ilha do Tesouro, e, nem de longe, agradou tanto quanto seu antecessor, embora o autor se referisse a histórico de Otto como seu trabalho mais dispendioso (conta-se que um dos capítulos foi reescrito oito vezes!).
Um dos motivos para o pouco sucesso do livro é que ele foge dos temas comuns em Stevenson, como as viagens ultramarinas e ação que tanto encantou os jovens através das gerações (estilo "capa e espada").
O livro se passa em um principado hipotético, Grünewld, cujo monarca é Otto, um príncipe pouco ligado a suas obrigações estatais, que delega o governo a sua esposa, a ambiciosa princesa Seraphina e a seu primeiro ministro, o inescrupuloso barão Gondremark. Juntos eles planejam um golpe para derrubar o príncipe.
Isto porque, após se aconselhar com um amigo, ele resolve retomar as rédeas do Estado.
Outra personagem central é a condessa von Rosen, que faz um papel de espiã, no estilo leva-e-traz. Com seu jeito falsamente modesto e sensual ela se infiltra no alto escalão principado e exerce grande influência na história.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Memórias Desmortas de Brás Cubas - Pedro Vieira

Há tempos eu estava à procura  deste livro para finalizar o que chamei de "série de clássicos revistos", como Dom Casmurro e os Discos Voadores, Senhora, a Bruxa e O Alienista Caçador de Mutantes. Foi muito bom tê-lo encontrado no Livros em Pauta, pois pude comprá-lo por um preço muito baixo. Do contrário seria uma lástima.
Decepcionante, é o primeiro adjetivo que associo ao livro. Na sequência, penso em enfadonho, mal escrito, clichê e outras palavrinhas menos educadas...
Para começar, diferentemente das outras revisões (citadas acima), este livro não se propõe a recontar a história original, mas a dar uma continuidade.
Não entendo isso como uma paródia...
O estilo do autor é pobre e imaturo; suas frases são mal construídas e repetitivas; enfim, ele envergonharia Machado!
Um exemplos do que ele considera boa escrita:
"Mencionei, nas Memórias anteriores, que antes de morrer trabalhei arduamente em meu emplasto [...] irei finalmente dar mais detalhes de como essa maravilha funciona [aqui ele se enrola, faz uma confusão e não diz nada, depois continua]. Ou seja, eu disse que iria finalmente dar detalhes, mas não dei. Menti. Isso que dá confiar tanto assim em um morto..."
Vieira também mistura personagens de outras obras machadianas (como A Cartomante e O Alienista). Talvez possam interpretar que isso cria a sugestão de que os personagens conviviam na imaginação do Imortal, mas, para mim, isso soa caótico e cheira a "forçação de barra".

sábado, 26 de outubro de 2013

Lucílola - José de Alencar

Alencar dá voz à Paulo Dias, que conta a história de seu relacionamento com uma mulher, explicando inicialmente que não o fizera de viva voz, e sim em forma de carta, em virtude de, na ocasião de uma visita a que alude, estar presente a neta da própria destinatária.
Logo após ter chegado ao RJ, Paulo foi convidado por um amigo, o sr. Sá, a acompanhá-lo à Festa da Glória, quando lhe atraíra a atenção uma jovem e bela mulher que, de início, não identificara como cortesã.
Lúcia era, assim, uma mundana de rara beleza e suave aspecto, que faziam parecer uma jovem inocente. Pelo menos, essa foi a impressão que levou Paulo a se apaixonar por ela.
Foi apresentado por Sá, que já fora seu amante. Mesmo sabendo disso, ele continuou a idealizá-la, sendo seu amigo por um tempo, antes de se tornar seu amante.
Paulo não a queria apenas como uma cortesã, famosa pelos requintes no amor, e sentia que ela também, na maneira de tratá-lo, nos seus silêncios, nos seus beijos e carícias, o amava realmente.
Viveram juntos uma relação alternada entre brigas e reconciliações, em que Lúcia, por vezes, voltava a seu ofício.
Lúcia contava-lhe, aos poucos, a sua história, de sua família, que viera morar na Corte e viviam dignamente, até que a epidemia de febre amarela levou a todos, restando apenas ela. Assim foi que, por necessidade, entregou o seu corpo a um ricaço de nome Couto, para conseguir ajuda. Depois disso, o caminho estava aberto à prostituição.
Após tal confissão, de que resultou um perfeito entendimento entre os dois, Lúcia foi morar numa casinha de Santa Teresa, que alugara, em companhia da irmã. Afastou-se da vida mundana para receber apenas a visita de Paulo.
O final, trágico, como não poderia deixar de ser, fica para você descobri...

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Diva - José de Alencar

Diva, um dos mais famosos romances romances de José de Alencar, foi publicado em 1864;  e, ao contrário do que muitos pensam, não é uma continuação de Lucíola, que se encerra na própria obra.
O que liga as duas obras é um detalhe curioso, a amizade entre o narrador de Lucíola, Paulo, e o narrador de Diva, Amaral.
O livro é composto por cartas que Amaral teria enviado a Paulo, como confissões a um amigo (outra semelhança!).
 Diva narra a história de Emília Duarte, contada pelo homem que a ama, Augusto Amaral.
Emília é uma adolescente muito retraída, que tem aversão a ser tocada por estranhos. Uma enfermidade a leva quase à morte. É chamado um médico recém-formado, o Dr. Augusto Amaral.
Augusto dedica-se a Emília, mas ela se recusa a ser tocada e não o deixa sequer entrar no quarto. Apesar de tudo, Augusto consegue salvar a moça, o que faz com que ela o odeie, temendo que ele exija sua amizade como recompensa.
Seguem-se várias discussões e brigas entre os dois, onde se revela o caráter de Emília, extremamente instável e voluntariosa. Augusto acaba apaixonando-se por Emília, mas as atitudes dela são tão incertas que acabam por levá-lo ao desespero.
Ao final tudo se reequilibra e termina bem, quando Emília revela seu amor pelo médico.

sábado, 5 de outubro de 2013

A Dama das Camélias - Alexandre Dumas (filho)

Sempre associei este livro a uma certa libertinagem, mesmo antes de saber que se tratava da história de uma cortesã, pois lembrava me de um colega que que dizia às nossas colegas de escola que era o único livro que ele gostava, e o dizia com o mesmo olhar malicioso que usava para falar dos garotos com que se envolvia.
Mas a leitura me surpreendeu muito, não só pela abordagem romântica do livro (chamado até de hino ao amor), mas pela fluidez e clareza da narrativa, incomum tanto nos escritos do século XIX quanto na literatura francesa.
Trata-se da história de Marguerite Gautier, uma cortesã (espécie de prostituta de luxo) parisiense que ganhara a alcunha de A Dama das Camélias por sempre ir ao teatro com um buquê destas flores, ou brancas ou vermelhas; já começamos com a personagem central morta, vítima de tuberculose. O narrador diz que tomou conhecimento da história de Marguerite através de um de seus amantes, Armand Duval, que regressara à Paris ao saber de seu falecimento.
Marguerite era parcialmente sustentada por um velho duque, que via nela sua falecida filha revivida. Porém, mesmo com esse patrocínio ela não deixava de receber a visita de outros cavalheiros. Um desses era Monsieur Duval; o diferencial é que ela se apaixona por ele, tal como ele por ela. O amor faz com que ela abandone a vida que levava (incluindo o duque) e passasse a viver como Madame Duval.
Toda a relação é permeada por várias brigas do casal, causada pelos ciúmes de Armand e pelo gênio de Marguerite.
De um modo geral é uma história triste. Mas é também um clássico da literatura mundial, imperdível.

sábado, 29 de junho de 2013

Várias Histórias - Machado de Assis

Essa coletânea de contos mostra toda a genialidade do mestre da literatura nacional no estilo em que, para mim, ele mais se destaca: as histórias curtas.
Alguns dos contos do livro são:
A Cartomante, um clássico que narra um trágico triângulo amoroso entre três amigo;
Uns Braços, um conto que mostra como uma "paixonite" pode afetar a vida de um adolescente;
A Causa Secreta, que fala de adultério e da alma humana;
Trio em lá Menor, que conta a história da Maria Regina, que indecisa entre dois pretendentes: Maciel, jovem e corajoso e Miranda, mais velho e apreciador da música e da boa conversa, acaba sem ninguém.;
Adão e Eva, em que é contada uma versão diferente da popular sobre como teria sido "a criação";
O Enfermeiro, que narra a história de Procópio Valongo, enfermeiro do coronel Felisberto, um velho doente e rabugento que tratava mal todos á sua volta, afastando todos os enfermeiros anteriores. Após um breve período de bom relacionamento, o coronel revela sua natureza e acaba sendo esganado durante uma briga com o enfermeiro. Qual não é a surpresa do enfermeiro ao descobrir-se único herdeiro daquele que matara;
Conto de Escola, que trata de corrupção e delação, de dificuldade e de dedicação;
Um Apólogo, que traz uma discussão entre a agulha e a linha, tratando, na verdade, de humildade;
Viver!, em que vemos o breve encontro de duas mitologias distintas, na forma de um teatro bem interessante; cujos dois personagens centrais são, Prometeu, o titã que criou o homem e Ahasverus, o último dos homens, condenado a nunca morrer por ter sido cruel com Jesus em seu calvário;
O Cônego ou Metafísica do Estilo, em que o autor faz, na verdade, uma metalinguagem, ou seja, usa a língua para falar sobre a língua.

sábado, 4 de maio de 2013

Orgulho e Preconceito e Zumbis - Jane Austen e Seth Grahame-Smith

Decepcionante!
Uma leitura que se arrasta e não progride!
Eu esperei semanas para ler este livro, criei uma epectativa e tanto e... ele nem chega perto!
Já deveria saber que não dá para fazer milagres com uma (das chatíssimas) obra (s) de Jane Austen.
Na verdade ps grandes estudiosos da literatura anglo-saxônica podem até dizer que o livro ganha pontos por ser fiel à obra original, mas para mim, é exatamente por conservar a frivolidade Austeniana é que ele se torna chato.
O romance original conta como a história da família Bennet muda com a chegada de um novo vizinho, Mr. Bingley, um aristocrata de Londres que aluga uma casa de próximo à residência dos Bennet; mas tem o foco no relacionamento de Mr. Darcy e Ms. Elizabeth. Também é a história do prolixo Mr. Collins, do lacônico Mr. Darcy, do irônico Mr. Bennet, da frívola Lydia e da doe Jane. Todas as personagens podem ser perfeitamente descritas com uma única palavrca (superficiais?).
Intensamente romântico sem usar de olhares fulminantes, corpos entrelaçados ou beijos arrebatadores (uma qualidade), Orgulho e Preconceito é sutil e superficial (um defeito irremediável).

Os similares tupiniquins são muito melhores.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

A Ilha do Tesouro - Robert Louis Stevenson


O livro apresenta uma história fictícia de uma aventura em busca do tesouro do terrível pirata Flint.
Jim Harkins, nosso jovem narrador, descobre um mapa do tesouso nos pertences de um velho capitão falecido.
Ele, Dr. Livesey e Dr. Trelawney juntam-se a tripulação do Hispaniola para ir em busca desse tesouso.
Junto com eles vai também o temível Long John Silver (o pirata mais famoso da literatura e do cinema), que integrara a tripulação do Capitão Flnt e só faz sonhar com o tesouro perdido.
Daí o livro segue em uma sucessão de aventuras no mar e na selva, motins, uma ilha deserta, muita vilania e heroísmo, em uma ritmo cativante, contando uma história daquelas que não se quer parar de ler.
Nesta obra, o autor instituiu um novo estilo de escrita (romances da capa e da espada), traçado pela característica da ação contínua, que também serviu para estimular a leitura nos jovens.
O livro foi e ainda é um sucesso e serviu para impulsionar a carreira do escritor, que também é autor de O Médico e o Monstro.


sábado, 9 de fevereiro de 2013

Recordação da Casa dos Mortos - Fiódor Dostoiévski

Dostoiévski foi um renomado escritor Russo do século XIX, e este foi o primeiro livro dele que caiu em minhas mãos.

O livro parece ter sido construído por recordações do período em que Dostoievski cumpriu pena num presídio na Sibéria.
É interessante notar que Recordações da Casa dos Mortos é que o relato do dia-a-dia de centenas de homens num presídio gelado e distante de tudo
.
Este é na verdade um livro difícil de ler, não pela linguagem, que chega a beirar o coloquial, mas pelo próprio estilo da narrativa, que se desenvolve como um diário. Como uma autobiográfico, narra a vida de um homem, Alieksandr Pietróvitch, preso no gelado e longínquo presídio da Sibéria. No entanto, o crime que o levara até lá mal influi na história; o foco está na sua pena e no convívio com os presos.
Alieksandr foi condenado à trabalho forçado por assassinar sua esposa (o que é um comentário sem qualquer importância no livro, pois em nenhum momento foi revelado as motivação que o levaram a cometer tal crime ou foram dadas maiores explicações). O importante é o dia-a-dia dos presidiários, com seus sonhos, medos, ódios, preconceitos, enfim, o cotidiano da sociedade presidiária.

Com tudo isso, o livro se torna tenso. Também por esta razão, aconselho aos que ainda não leram nada deste autor, que comece por outra obra, por exemlo, por uma de suas coletâneas de contos; para depois, em
um período mais maduro no quesito Dostoiévski, encarar algum de seus profundos romances.