Mostrando postagens com marcador Histórico. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Histórico. Mostrar todas as postagens

sábado, 1 de abril de 2017

Crônicas Saxônicas: O Trono Vazio - Bernard Cornwell

O grande sonho de Alfredo, rei de Wessex, era unir os quatro reinos saxões da Britânia, Wessex, Mercia, Ânglia Oriental e Nortúmbria em um único grande e poderoso reino, a Anglaterra. Para isso ele dedicou toda sua vida a fortalecer Wessex e estender sua influência aos reinos vizinhos, ao mesmo tempo em que combatia os invasores dinamarqueses.
Alfredo também dedicou boa parte de sua vida ao cristianismo, religião que abraçava com fé inabalável, entretanto, seu principal guerreiro, o notório senhor Uhtred de Bebbanburg, era pagão. E mesmo sendo pagão, Uhtred lutou toda sua vida entre os cristãos para expulsar os invasores do solo britânico.
Muitos anos depois do início dessa saga, com Alfredo já morto e seu filho Eduardo no trono, o velho guerreiro Uhtred continuava em sua batalha, protegendo a família e buscando o sonho de Alfredo. Já há muito tempo ele era o principal guerreiro e o amante da filha do falecido rei, Aethelflaed, esposa de Aethelred, primo de Uhtred e senhor da Mercia, sob o comando de Wessex.
Neste livro, Aethelred e Uhtred, ambos envelhecidos, sofrem com as feridas de sua última batalha contra os dinamarqueses. Em sua agonia final Aethelred reúne seus apoiadores para um golpe final em seu primo e inimigo, mandar Aethelflaed para um convento e colocar outro inimigo no trono da Mercia.
Uhtred, por outro lado, ainda conta com aliados, que junto com ele, buscarão consolidar o poder de Aethelflaed e unir a britânia. Para isso eles usarão os artifícios de sempre, uma força implacável na guerra e estratégias dignas do xadrez na política. Em conselhos e deliberações, em batalhas e casamentos, empocilgas e castelos, acompanhamos uma mente brilhante funcionando e buscando seu ideal.
Ao passo que envelhece, seus filhos Uhtred e Stiorra, começam a seguir os passos do pai, ele como grande guerreiro, espada de Wessex, e ela como senhora pagã.
Acima de tudo a certeza de que o destino é inexorável.

sábado, 3 de dezembro de 2016

Mundo Sem Fim - Ken Follett


Depois de ler Os Pilares da Terra no carnaval de 2015 eu fiquei obcecado com a história e com a genialidade narrativa de Follett, mesmo já conhecendo outros de seus livros. Foi, então, um desafio conseguir ler esse livro, sequência de Pilares, que está esgotado nas livrarias nacionais e mesmo nos sebos é difícil de ser encontrado, de modo que eu tive que comprá-lo em inglês, e encarar sua longa leitura — mais de 1000 páginas — em outro idioma. E eu recomendo, mesmo não sendo uma leitura simples, dada a qualidade literária e histórica do livro.
O primeiro livro se passa na Inglaterra do século XII, um período em que o trono estava sendo disputado por dois primos que levaram o reino ao caos. Em Mundo Sem Fim, duzentos anos depois, o plano de fundo histórico é o início da Guerra dos Cem Anos.
A história se passa no povoado de Kingsbridge, dominado pelos monges, mas que abriga um grande espectro de pessoas e profissionais, que se envolvem na política do reino, no comércio, na criminalidade, e, é claro, na arquitetura, um dos planos de fundo dos dois livros.
Os personagens centrais da trama são descendentes dos personagens do primeiro livro, e de certo modo, repetem as trajetórias de vida dos antepassados, lutando pela manutenção do poder do priorado, por construir grandes obras que afrontam os poderosos nobres regionais e lutando por seus amores e famílias.

Pela minha experiência com os demais livros do autor, sei que seu ponto alto são as ficções históricas, de modo que depois de ter lido estes dois livros e a trilogia O Século, não restam grandes obras (de meu interesse) em seu currículo, mesmo assim, eu recomendo a leitura de livros do autor.

sábado, 1 de outubro de 2016

O Ladrão do Tempo - John Boyne


John Boyne é daqueles autores que não passam em branco. Seus romances históricos, completos, divertidos e surpreendentes são garantia de boas horas de leitura. Meu preferido é O Palácio de Inverno, mas O Garoto no Convés está no mesmo nível do badalado O Menino do Pijama Listrado. É daqueles escritores que merecem o dinheiro que ganham com literatura.
Seu romance de estreia, O Ladrão do Tempo, só foi publicado no brasil em 2014, catorze anos depois da publicação original, e já antecipava claramente o potencial do autor.
Matthieu Zéla é um homem de duzentos e cinquenta anos que vive em Londres e nos conta sua longa história de vida. Nascido em Paris, sob a dinastia Bourbon, ele testemunha o assassinato da própria mãe tem de deixar o país levando consigo o irmão caçula.pela rota Calais-Dover, ele chega a Londres.
A pesar de iniciar sua vida profissional como um batedor de carteiras, Matthieu, exerce muitas atividades, em seus dois séculos de vida, acumulando muito dinheiro, experiências e mulheres.
Ao contrário dele, seu irmão morre jovem, deixando um sobrinho por nascer, que também morrerá jovem, deixando um sobrinho neto, que seguirá a tradição de família... e assim por nove gerações de Tomas, Thomas, Thoms e Thomys, todos vivendo e morrendo á sombra do tio Matt.
Matthieu também tem um histórico trágico com as mulheres, tendo se casado dezenove vezes, conhecido centenas de amantes, sem nunca conhecer um amor como o de Dominique, a jovem francesa que faz com ela a viagem de Calais até Dover.
Boyne constrói uma narrativa histórica viva e empolgante, mistura personagens celebres ficcionais, e cria um romance que o representa como grande autor.

sábado, 27 de agosto de 2016

O Triunfo de Sharpe - Bernard Cornwell

O grande sucesso de Bernard Cornwell no exterior é a sua série original, As Aventuras de Sharpe, porém, no Brasil, sua série mais conhecida é a trilogia Crônicas de Artur. Contudo, dentre seus livros os meus preferidos são os das Crônicas Saxônicas.
Por isso, as aventuras de Sharpe não me agradam tanto.
Embora o sargento Richard Sharpe, do Exército de Sua Majestade durante as Guerras Napoleônicas, seja um personagem muito empático.
A empatia que o personagem desperta é devida ao quão humano ele é, com suas mesquinharias, ganâncias, raivas, desejos e valores (uma característica não rara nas obras de Cornwell, que busca mostrar o melhor e o piro do ser humano em seus personagens.). 
Nesse segundo volume da série, Sharpe continua na Índia, cumprindo as missões mais arriscadas designadas pelo oficiais.
No final do último livro, Sharpe era dado como morto, mas retorna ao exército britânico como um herói impossível, por ter escapado da morte e sido o responsável pela grandiosa vitória contra o sultão Tipu. Secretamente, ele também volta rico, após saquear o cadáver do sultão e levar seu incrível rubi.
Dessa vez, a missão de Sharpe é capturar um traidor do exército britânico, o major William Dodd

Eu ainda não pude assistir à série televisa feita a partir da adaptação das histórias dessa série literária, mas tenho muita vontade. Embora seja um pouco antiga, a crítica é muito elogiosa a respeito dos livros, e o ator que a estrela é o famoso Sean Bean, também visto em O Senhor dos Aneis e Game of Thrones.

sábado, 13 de agosto de 2016

Getúlio 1930-1945: do governo provisório à ditadura do Estado novo - Lira Neto

Disse uma vez o grande estadista: "O período ditatorial tem sido útil, permitindo a realização de certas medidas salvadoras, de difícil ou tardia execução dentro da órbita legal. A maior parte das reformas iniciadas e concluídas não poderia ser feita em um regime em que predominasse o interesse das conveniências políticas e das injunções partidárias".
E é essa a frase escolhida pelo autor como epígrafe para esse segundo volume da trilogia biográfica sobre Getúlio Vargas, livro dedicado ao período de quinze anos em que Getúlio exerceu poderes ditatoriais.
No livro anterior, Neto revela o caminho até o poder, em um golpe de estado, uma revolução que instaura o Governo Provisório, em que foram dissolvidas as câmaras legislativas e destituídos os governadores e prefeitos.
Nesses primeiros anos de Governo Provisório, Getúlio enfrentou muita crítica da oposição e da imprensa, teve de lidar com correligionários beligerantes e com as revoltas em seu estado natal, Rio Grande do Sul, e em São Paulo, terra de Washintgnon Luis, presidente deposto pelo golpe getulista.
Também nesse período, ele deu mostras de sua brutalidade no trato com a oposição e de seu populismo, que lhe garantia o apoio popular. Tem destaque nesses primeiros anos, a conquista voto feminino, garantida universalmente por Getúlio no Brasil antes de ocorrer em países "avançados", como a França.
Sua popularidade e sua força política lhe garantiram a eleição constitucional para presidente. Getúlio não poderia deixar de aproveitar o ensejo e, gradativamente, enrijecer e consolidar o regime que conduziria ao Estado Novo, uma ditadura violenta, mas que obteve altos índices em indicadores sócio-econômicos. Um paradoxo brasileiro.

sábado, 25 de junho de 2016

O Incendio - Jörg Friedrich

Sempre que lemos sobre a destruição causada pela Segunda Guerra Mundial, pensamos, em termos arquitetônicos, em Hiroshima e Nagasaki, destruídas pelas bombas atômicas americanas e em Londres, devastada até o limite máximo pela Luftwaffe, a força aérea alemã; em termos humanos, pensamos no holocausto judeu, e nos campos de concentração nazistas.
Entretanto, temos que lembrar duas coisas: primeiro, que a Alemanha também teve seu território atacado desde o começo da guerra, e segundo, nem toda a população alemã era conivente com o esforço de guerra e, muito menos, com o nazismo. Apesar disso, civis ou militares, aguentaram, como ocorria na França e na Inglaterra, a imensa carga dos adversários.
Nesse livro, o escritor alemão Jörg Friedrich mostra ao mundo um pedaço da Grande Guerra que é esquecido, talvez porque seria de péssimo tom sentir pena dos nazistas.
Jörg embasa seu texto e uma vasta variedade de documentos e pesquisa históricas, e dedica mais de quinze páginas apenas para listas as referências que usou.
Ele revela táticas, fatos, impressões, medos, cicatrizes e lições deixadas pela guerra no território comumente considerado como o absoluto agressor.

Em suas quase seiscentas páginas, o livro mostra uma realidade que o mundo preferiu esquecer, a de que a guerra é cruel para vencidos e vencedores. Mas, sempre que penso na quantidade de vidas perdidas nos confrontos e bombardeios da Segunda Guerra e no horror dos bombardeios nucleares, me acalenta pensar que se foi preço necessário para por fim ao nazismo, foram vidas bem investidas.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

O Tigre de Sharpe - Bernard Cornwell

Cornwell fez sucesso no Brasil com as Crônicas de Artur, em que faz uma nova leitura dos mitos arturianos baseado em evidências arqueológicas e releituras historiográficas; posteriormente está também entre os mais lidos com suas Crônicas Saxônicas, uma reconstrução do período de unificação da Inglaterra, no século X. Entretanto, no exterior ele já fazia sucesso com sua primeira série, As Aventuras de um Soldado nas Guerras Napoleônicas (ou As Aventuras de Sharpe). 
Agora, depois de ter lido sua saga arturiana, sua Busca do Graal, seus livros solos e estar esperando novos livros das Crônicas Saxônicas, começo a ler os primeiros livros do autor. Depois que terminar essa série, que no Brasil já conta com 11 livros, pretendo ler as Crônicas de Starbucks, sobre a Guerra Civil Americana.
Nas Aventuras de Sharpe, acompanharemos a atividade britânica nas guerras napoleônicas através da perspectiva de Richard Sharpe, um jovem soldado raso do Exército de Sua Majestade o Rei Geoge III.
Sharpe era um órfão que foi recrutado pelo exército depois de ter matado seu empregador, o dono de uma hospedaria que o fazia roubar os hóspedes. No exército, ele não tinha, tampouco, nenhuma esperança de sucesso ou felicidade.
Seu destino muda quando ele é condenado a receber 2 mil chibatadas por atacar um superior. Embora a sentença fosse, na prática, a morte, Sharpe consegue escapar para entrar em uma missão suicida: se infiltrar no exército inimigo para tentar resgatar um espião britânico entre os indianos.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Incidente em Antares - Erico Verissimo

"Neste romance as personagens e localidades imaginárias aparecem sob nomes fictícios, ao passo que as pessoas e os lugares que na realidade existem ou existiram, são designados pelos seus nomes verdadeiros."
É esta a nota de abertura que nos deixa Erico Verissimo ao início desse livro maravilhoso.
Primeiramente, vamos a um mea culpa: eu ainda não tinha lido nenhum livro desse gênio da literatura brasileira, marco de uma geração e ídolo da literatura gaúcha. Já conhecia, é verdade, parte de seus títulos e sabia o quão querido ele é pelos leitores, mas não havia experienciado a abrangência de seu talento, seus personagens comicamente realistas e ao mesmo tempo cruelmente fantasiosos, sua narrativa fluente, coesa e ricamente marcada pela história do Rio Grande do Sul e do Brasil. Já havia, também, lido livros de seu filho, Luis Fernando Verissimo, que aparentemente herdou do pai o talento para a escrita, embora represente um estilo bastante diferente.

Incidente em Antares é dividido em duas partes. Na primeira, somos apresentados à pictórica cidadezinha gaúcha, às margens do rio Uruguai, na fronteira com a Argentina. Antares é vizinha de São Borja, terra da família Vargas, que pelos idos do 1930 fez um Presidente da República.
Nessa metade do livro, assistimos em um privilegiado lugar de leitor aos acontecimentos beligerantes que marcaram a história do inusitado povoado missioneiro, desde sua fundação, pelas mãos do estancieiro Francisco Vacariano, à chegada do pecuarista Anacleto Campolargo, passando pelo ódio instantâneo surgido entre os dois gaúchos, por suas artimanhas políticas e pelos inúmeros confrontos entre as famílias, até a reconciliação forçada por um certo Getúlio de São Borja, e a amizade de surgida entre seus membros durante o século XX.
Pela ótica dessas duas famílias, vemos ser contada a história do vilarejo, do estado e do país. Encontramos uma Antares bem provinciana, dominada pelos coronéis e suas visões políticas. Ao mesmo tempo, o período que recebe maior atenção nessa parte do livro, da década de 1920 à 1960, ocorre uma grande transformação, com o amadurecimento da democracia e as tendência autoritárias.
O que fica mesmo é a impressão de ser esta uma cidadezinha como quase todas no Brasil daquela época, mas descrita e apresentada de um modo qual um contive, que enche o leitor de vontade de viver pro lá nem que seja por uma temporada.
Na segunda parte, já em dezembro de 1963, às vésperas do golpe militar de 1964, é deflagrada em Antares uma greve geral. Os operários das três indústrias que operam na cidade reivindicam melhorias nas condições de trabalho e, dado o clima nacional, recebem o apoio de todos os trabalhadores da cidade. Assim, ficam todos os serviços paralisados, das máquinas das fábricas, aos coveiros.
Os poderosos da cidade tentam uma retomada da ordem pela força, chamando a força nacional e apelando para o governador, mas são ignorados em nome da democracia e do direito de greve. Em meio a toda confusão, muitos se indignam com situação a ponto de ficarem com a saúde abalada. D. Quitéria Campolargo, matriarca que há décadas comanda a família com pulso de ferro, é uma das vítimas, pois morre de ataque cardíaco no dia em que se inicia a greve. No mesmo dia, outros seis antarenses passam dessa para a melhor, um recorde na pequena cidade em tempos de paz e saúde.
Como a greve abrange também os coveiros, os revoltosos ocupam a entrada do cemitério e impedem o sepultamento dos defuntos, levando a cidade a um clima de caos inédito.
A confusão só faz piorar quando os defuntos insepultos resolvem se levantar e reivindicar seu direito de sepultamento.

O livro foi adaptada para a televisão em uma minissérie na década de 1990, pela Rede Globo. Também foi vezes sem conta levada aos palcos como peça de teatro país adentro.
Este foi o último romance escrito pelo autor, em 1971, e, juntamente com a maior parte de sua obra, foi traduzida e publicada em vários países.

Mal posso esperar para ler outros livros do autor, mas fico com uma certeza: esse é um livro que vale a pena ser lido e relido várias vezes!

sábado, 16 de janeiro de 2016

O Pacifista - John Boyne

Embora John Boyne tenha publicado mais de quinze livros, eu só li quatro. Demorei bastante para começar esse quinto porque fiquei sem saber de sua publicação. Lembro de ler O Menino do Pijama Listrado e em pouco tempo ver a divulgação da publicação no Brasil de O Garoto do Convés, a então um ou dois anos depois, O Palácio de Inverno. Desde então não vi mais publicidade sobre seus lançamentos.
Não obstante, é sempre um prazer ler um de seus livros. Agora que sei de outros lançamentos do autor, já comprei mais alguns e os resenharei esse ano.

Antes de começar a ler O Pacifista vi no texto de capa a recomendação do The Sunday Times, que o descrevia como "Cativante desde o primeiro parágrafo", bem o tipo de coisas que se encontra por aí sobre lançamentos de autores badalados. O que acontece é que, neste caso, é verdade, pois o livro começa assim:
"Sentada à minha frente no vagão, a senhora idosa de estola de pele de raposa recordava alguns homicídios que havia cometido ao longo dos anos".
Percebemos, então, que o livro é narrado em primeira pessoa, por seu personagem central, o jovem Tristan Sadler, que mentiu sua idade para poder se alistar no exército inglês e participar da Primeira Grande Guerra.
A história corre em dois eixos de tempo, um logo após a guerra e outro no seu decorrer, enquanto o regimento de Tristan é treinado e, posteriormente, conduzido ao campo de batalha. No eixo pós-guerra, ele vai a uma cidadezinha do interior visitar a irmã de seu melhor amigo, uma das vítimas da guerra; seu objetivo é entregar a ela as cartas que o falecido soldado recebera durante o período em serviço.
Como não poderíamos ficar sem um tempero especial, Boyne aborda um grande tabu para a Inglaterra durante o século XX: a homossexualidade, e mais especificamente, a relação homossexual entre dois soldado em uma época em que a homossexualidade era considera crime.
E não é que o tema continua atual!

sábado, 26 de dezembro de 2015

O Incêndio de Troia - Marion Zimmer Bradley

Entre 2010 e 2013 eu lia um livro de Marion a cada mês. Comecei com A Senhora da Magia e os demais das Brumas de Avalon, logo depois comecei a série Darkover, com A Rainha da Tempestade, e me apaixonei pelo estilo da autora, rapidamente comprando todos os quarenta livro dela que foram traduzidos no Brasil e mais alguns no original em inglês. Por causa dela, eu comecei a ler em outro idioma. Por algum tempo ela foi isolada, a minha autora preferida. Aí, naturalmente, depois de já ter lido mais da metade, diminuí o ritmo e passei a encontrar obras menos boas entre seus títulos, perdendo um pouco do encanto por ela.
Depois de 2013, deixei três livros dela por ler, achando que não seriam grandes coisas. Me enganei com todos. Foram eles: The Flame in Hali, O Salto Mortal e O Incêndio de Troia.
Agora, feita essa leitura, realmente devo ficar muito tempo ser ler Marion, até que eu queira reler algum dos que já tenho, ou comprar um dos não traduzidos nos Estados Unidos.

Nesse livro estamos no melhor do estilo MZB, um romance histórico com batalhas e disputas de poder. Ha também a recorrente luta das mulheres por seu espaço em sociedades machistas.
Marion faz uma releitura da lenda da Guerra de Troia, narrando a história do ponto de vista de Kassandra, princesa de Troia, irmã de Páris e Heitor. Quando criança, ela tem visões perturbadoras e se sente chamada para ser uma sacerdotisa de Apolo, o deus Sol. Entretanto, seus pais a reprimem e exigem torná-la submissa como devem ser as troianas.
No começo da adolescência, ela consegue ser mandada para passar alguns anos entre as amazonas, a tribo de sua mãe. Com elas, Kassandra é treinada nas armas e na luta, mas tem de retornar à Troia para o velho embate com os pais, até que consegue se tornar sacerdotisa.
Porém, nessa época, a guerra já se avizinha, e o clima é tenso.

sábado, 7 de novembro de 2015

1356 - Bernard Cornwell

Tempos depois de finalizada a aventura do Graal, Thomas de Hookton continua na frança, comandando os Hellequins e lutando em nome do conde de Northampton, pela Inglaterra.
No ano de 1356, propriedades vêm sendo incendiadas por toda a França e a população está em alerta. O exército inglês, liderado pelo herdeiro do trono, o Príncipe Negro, está pronto para atacar, enquanto os franceses e seus aliando escoceses tentam emboscá-los.
Ha, entretanto, a lenda de uma arma que pode desequilibrar o conflito. É dada a Thomas a tarefa de encontrar essa arma, a espada de São Pedro, La Malice, um artefato poderoso que poderia dar a vitória a quem a possuísse.
É claro que Thomas não é o único que busca por essa espada mitológica. O cardeal Bessières, antigo inimigo de nosso arqueiro coloca em padre assassino em seu encalço.
Assim começa mais uma jornada de violência, batalhas,  traições, juramentos quebrados e mulheres surpreendentes, todas as melhores características de Cornwell, que nos brinda com suas reconstruções históricas, suas descrições de guerra e suas reviravoltas.

sábado, 10 de outubro de 2015

Os Pilares da Terra - Ken Follett

Eu conheci os livros de Ken Follett depois que ele lançou Queda de Gigantes, e até então só tinha lido os três livo que compõem a trilogia O Século, embora soubesse da fama de seus thrillers. Também sabia que seu romance histórico Os Pilares da Terra havia alcançado status de clássico; mas só recentemente, quando ganhei uma bela edição desse best seller é que resolvi lê-lo.
O plano de fundo histórico desse livro é a Inglaterra do século XII, quando os normandos já haviam invadido e conquistado a ilha e se estabelecido no trono. Após quase cem anos de hegemonia normanda e de sucessões ordinárias, eis que um rei morre sem deixar herdeiros evidentes. Quando Henrique I morreu, em 1135, seus único filho legítimo e dois de seus bastardos haviam naufragado para a morte há 15 anos. A disputa pelo direito ao trono que se seguiu ficou conhecida como anarquia e mergulhou o país em décadas de guerra civil, incerteza e injustiça.
Em meio a isso, Tom Construtor perde seu emprego como chefe da construção da casa do filho do Lorde de Hamleigh. Ele se vê vagando pelas estradas com sua mulher grávida e seus dois filhos em busca de emprego e, com o tempo, de caridade para conseguir comida. Sua situação só fica pior quando a mulher morre durante o parto e ele tem abandonar seu filho recém nascido para ser criado em um mosteiro.
Paralelamente, William Hamleigh assiste a honra de sua família ser arrastada pela lama após ser recusado pela filha do conde Bartholomew. Por duas semanas, ele vê pai andar de cabeça baixa e sua mãe vomitar impropério sobre a moça e sobre ele. A situação só parece melhorar quando ele descobre que o conde está envolvido em uma conspiração para tirar do trono o rei Estevâo, coroado a pouco com o apoio da Igreja, embora o falecido rei tivesse manifestado que sua vontade era que sua filha Matilde fosse a herdeira.
Embora extremamente avesso ao mundo secular e à política, Philip, o monde a quem havia sido confiado a tarefa de prior de um mosteiro problemático no meio da floresta, se vê arrastado para o meio da disputa de sucessão quando recebe a informação que um monarca contrário aos interesses da igreja poderia ser conduzido ao trono.
Todos esses personagens têm suas vidas entrecruzadas em um novelo que tem como centro o priorado de Kingsbridge.

sábado, 3 de outubro de 2015

Getúlio 1882 - 1930:dos anos de formação à conquista do poder - Lira Neto

O tarimbado biografista Lira Neto diz que se espantava por não haver ainda uma exaustiva biografia da mais importante figura política da história do Brasil. Assim, lançou-se de corpo e alma na busca por informações, documentos e fontes sobre a vida do homem que por mais tempo esteve à frente de nosso país.
A narrativa é um primor. Somo levados de cá para lá nas idas e vindas do texto, que não poupa regressões e avanços para traçar o rumo da vida do jovem Getúlio. Essas regressões, que em mãos menos hábeis poderiam ser um fracasso, se tornam a alma do livro.
Ao iniciar com a história de sua juventude e de seus pais, Neto busca jogar luz sobre algumas características peculiares do gaúcho. Em certa parte, o livro passa a ser quase que sobre a história do Rio Grande do Sul, tamanho o embrenhamento da família Vargas na política local, tendo Getúlio exercido altos cargos, eletivos e de carreira.
Nesse primeiro volume, conhecemos o ambiente formativo do presidente, o meio republicano (em pleno fim de monarquia) e positivista em que ele foi educado. Vemos, nessa parte, a fonte de alguns ideias que comporiam a contraditória personalidade do líder gaúcho.
Avançamos, com o texto, à vida adulta de Getúlio, como ele constituiu família, como ele se relacionava com as esposa e os filhos, como participava de sua educação. Getúlio teve 5 filhos (3 meninos e 2 meninas) com a esposa Darcy Vargas.
Somo levados como que testemunhas pelo caminho de sua ascensão política, de Deputado Estadual a Deputado Federal e a Governador de seu estado. Seguimos pelas tortuosas trilhas que levam o político gaúcho ao maior cargo do país.
Perto do final do livro, o autor muda o estilo, passando a se valer amiúde de trechos de cartas, telegramas e bilhetes dos personagens históricos envolvidos, o que tira um pouco a fluência da narrativa, mas concede ao livro um charme diferente.

Já estão publicados os dois volumes que completam essa biografia e eu espero lê-los em breve para comentar aqui.

sábado, 4 de julho de 2015

Elizabeth I: o anoitecer de um reinado – Margaret George

Agradam-me bastante os romances históricos, as biografias e o que se conta sobre antigos monarcas. Esse livro reúne um pouco de tudo isso.
O contexto é o final do reinado da rainha Elizabeth I, a última monarca da dinastia Tudor, filha de Henry VIII (o Henrique VIII da peça de Shakespeare) o rei que “criou” a Igreja Anglicana (igreja dos anglos, igreja da Inglaterra).
Em 1588 Elizabeth está no fim de seu reinado. No trona há 30 anos, ela tem 53 anos, nuca se casou e não tem filhos para herdar o trono. Ela mesma para chegar ao trono teve que enfrentar uma grande dificuldade, pois seu pai havia rompido com a Igreja Católica para poder se separar de sua primeira esposa, Catarina de Aragão, e se casar com Anne Boleyn (Ana Bolena), mãe de Elizabeth.
Assim, ao se tornar rainha, além do trono, ela herda um contenda com Roma e os demais países católicos na Europa. Além de duas guerras históricas e centenárias, uma com a França e outra com a Escócia. Apesar de todos esses fatores pesando contra ela, seu reinado ficou conhecido como a primeira Idade do Ouro da história da Inglaterra.
A narrativa de Elizabeth tem início às vésperas do ataque da Invencível Armada espanhola no litoral britânico, e se estende por 15 anos, até sua morte em 1603. Logo nos primeiros eventos do livro podemos perceber os indícios de como a rainha influenciou toda a história britânica.
Paralelamente ao ponto de vista da monarca, temos também a narrativa de sua odiada prima, Letice Knollys, condessa de Leicester, que fora banida da corte elisabetana por ter roubado o único amor de sua prima, o conde Robert Dudley.
Outros célebres personagens que marcam presença entre as mais de 800 páginas deste inesquecível romance são, o dramaturgo William Shakespeare, o explorador Walter Releigh e Francis Bacon e John Dee.

A autora parece ser uma especialista em biografias romanceadas de grandes mulheres da história, pois consta entre suas obras também as Memórias de Cleópatra, Maria Madalena e Helena de Tróia.

sábado, 20 de junho de 2015

Lady Almina e a Verdadeira Downton Abbey – Condessa de Carnarvon

Sempre que converso com amigos sobre as séries que assistimos, insisto em dizer que todos devem assistir Downton Abbey, a melhor de todas as séries. Os fãs da série já admiraram muito o belíssimo castelo em que são filmados os episódios. Lendo sobre essa série que gosto tanto, encontrei um livro que fala sobre o castelo e uma de suas antigas moradoras.
O livro foi escrito pela atual condessa de Carnarvon, lady Fiona Herbert, casada com o oitavo conde de Carnarvon, e fala sobre a bisavó de seu marido, lady Almina, a quinta condessa e sobre o castelo de Highclere, propriedade da família que é usada como cenário para a série inglesa.
Almina era filha ilegítima do rico banqueiro Alfred de Rothschild, e chegou à Highclere em um momento providencial. Ela vinha com a imensa fortuna de sua família, justo em tempo de salvar as propriedades dos Cararvon, que estavam falidos.
Durante os 28 anos em que habitou Highclere, Almina e seu dinheiro revitalizaram a nobre família, ajudando-os a se restituir, a atravessar o período de guerra e a financiar as explorações arqueológicas que tornariam lord Carnarvon famoso (entre outras coisas por ter descoberto a tumba de Tutancâmon e morrido do que ficou conhecido como maldição da múmia).
Acima de tudo, Almina era graciosa e destemida, encarando a nova vida com maestria.

A condessa já escreveu um segundo livro, sobre a esposa do sexto conde, lady Catherine, mas que ainda não foi publicado no Brasil. Quando eu terminava de ler a história de lady Almina, escrevi para a condessa, e ela teve a gentileza de me responder, dizendo que também já estava para começar a escrever um terceiro livro. Só posso então esperar para ter esses livros em mãos!

sábado, 4 de abril de 2015

O Forte - Bernard Cornwell

Cornwell se consagrou escrevendo sobre a história da Inglaterra na forma de aventuras. Por sua obra está traçado um panorama de toda a história inglesa: em Stonehenge, ele conta como se organizavam os povos que viviam na ilha há milênios; nas Crônicas de Artur, ele revisita o mito arturiano e dá uma interpretação diferente, pautada em pesquisas históricas e paleontológicas, levando-nos ao século V; as Crônicas Saxônicas se passam cerca de trezentos anos depois e conta sobre a unificação da Inglaterra; em A Busca do Graal, somo levados à Guerra dos Cem Anos e também em Azincourt mas em um período posterior do conflito; O Forte se situa no meio da guerra de independência dos Estados Unidos, e narra o episódio em que o Ingleses retomam uma parte do território rebelde; As Aventuras de Sharpe nos levam às Guerras Napoleônicas e O Condenado a um período posterior, no século XIX. Além desses, há ainda uma série que acaba de ser traduzida no Brasil sobre a Guerra de Secessão, que eu deixei de fora por no ser da história britânica e por não ter começado a ler ainda.
O ponto é que O Forte é o primeiro, que eu leio, que tem relação com a história americana. Devo, também, ter sido o único a fazer um relação desse livro com A Letra Escarlate, de Nathaniel Hawtorne, provavelmente apenas porque essa história também se passa em Massachusetts, mas em uma época anterior à guerra de independência.
A história começa com uma pequena esquadra britânica desembarcando em uma pequena península no território rebelde. O objetivo e iniciar uma ofensiva e reaver o controle da colônia. Imediatamente, o comandante da operação, general McLean, ordena a construção do Forte George, um rústico esboço de fortaleza que será a única chance de vitória da expedição.
Paralelamente aos preparos dos britânicos para defender a terra ocupada, acompanhamos os esforços de retaliação dos americanos, que organizam uma contraoperação que parece superar os britânicos em número e em obstinação.
Como de costume, as descrições de confrontos são a alma do livro. O autor consegue a proeza de tornar um banho de sangue elegante e animado. Os fãs se interessarão em comparar as batalhas com armas de fogo com os clássicos conflitos de espada e escudo (ou arco longo) das Crônicas Saxônicas ou da Busca do Graal.

sábado, 24 de janeiro de 2015

Trilogia A Busca do Graal - Bernard Cornwell


Quando li As Crônicas de Artur me chamou a atenção o cuidado historiográfico tomado por Cornwell ao recompor a história do herói britânico. Porém, tal fidelidade aos fatos acabou por excluir da lenda arturiana a corrida pelo Graal. Na mesma época eu me consolei ao encontrar outra trilogia em que o autor se dedica ao mito do Santo Graal. A trilogia é composta pelos livros O Arqueiro, O Andarilho e O Herege.
Porém, lamento dizer que essa série, assim com o romance independente Stonehenge, não faz jus ao gênio narrativo do autor inglês, figurando apenas como coadjuvante em meio à sua vasta gama de títulos publicados.
A trilogia não se restringe à aventura do Graal, mas também lança luz à Guerra dos Cem Anos, contando a história de Thomas de Hookton, filho de um padre que vive em uma aldeia no sul da Inglaterra.
Thomas, um jovem de 18 anos, se vê impelido para fora de casa ao ver o pai morrer em seus braços. Em busca de vingança, e na tentativa de recuperar uma relíquia que o pai guardava, a lança de São Jorge, ele se junta ao exército inglês em campanha na França. Seu objetivo é alcançar O Arlequim, o responsável pela morte de seu pai.
A seu favor, Thomas tem a habilidade com o arco longo, uma arma que só é dominada pelos guerreiros ingleses e que desequilibra a batalha pela coroa da frança, uma vez que um pequeno contingente de arqueiros pode barrar o avanço de uma grande tropa de infantaria ou de cavalaria.
No meio da guerra, nosso arqueiro se vê envolvido numa trama muito maior do que apenas vingar ao pai. Ele começa a desencavar verdades sobre a própria família, membros da nobreza francesa proscritos por liderarem um levante contra a monarquia e a Igreja, mas que tinham em sua posse o Santo Graal.
Pela lenda vigente, o Graal teria sido ou o cálice usado por Jesus para compartilhar o vinho na última ceia, ou a cuia usada pra recolher seu sangue, quando ele já estava pregado na cruz. De qualquer forma, seria a relíquea mais sagrada no cristianismo. No final do terceiro livro, Cornwell propõe uma interpretação para o Graal. Outra interpretação pode ser encontrada no livro O Código Da Vinci, de Dan Brown.

A série tem também um apêndice, um livro extra, 1356, que eu vou ler em breve.

sábado, 17 de janeiro de 2015

O Século: Eternidade por um Fio - Ken Follett

A trilogia O Século foi um dos meus maiores achados literários. Há anos eu acompanho com ela a trajetória do século XX, um século muito interessante, muito marcante, extremamente frutífero no que toca a inspiração para a literatura. Follett escolheu uma das mais evidentes facetas do século para abordar sua narrativa: as guerras que o abateram do começo ao fim.
Para finalizar série, a Guerra Fria, que não foi uma guerra de fato, mas uma corrida armamentista, uma disputa de influências, uma batalha ideológica, entre duas potências: os Estados Unidos da América, em nome do ocidente, do capitalismo e da liberdade e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, em nome do oriente, do comunismo e, consequentemente, do autoritarismo e da violência.
Desde o primeiro livro, Queda de Gigantes, nós acompanhamos a história a través dos olhos de cinco famílias que atuam diretamente nos eventos e sofrem as conseqüências do curso da história. As famílias estão nos centros de ação do século: uma na Rússia, uma na Alemanha, uma na Inglaterra, uma em Gales e a outra nos Estados Unidos.
O livro captura com perfeição o clima de insegurança e tensão que dominou o mundo durante a Guerra Fria: o medo, a raiva, a incerteza, a intolerância e a esperança. Da Alemanha dividida e parcialmente dominada, ao racismo nos Estados Unidos, passando pela luta por renovação na União Soviética e pelo direito dos homossexuais no Reino Unido.
Sem a menor dúvida, é uma série memorável e um dos melhores livros de 2014.

sábado, 29 de novembro de 2014

O Guerreiro Pagão - Bernard Cornwell

A mais recente sequência da história de Uhtred sobre a unificação da Inglaterra.
A narrativa dessa aventura começa com Uhtred indo a uma igreja para deserdar seu filho mais velho, Uhtred, por este ter se ordenado padre, a maior das afrontas que ele poderia fazer a seu pai. Os problemas começam porque os outros cristãos no local tentam se colocar entre a ira do pai e seu filho; na confusão Uhtred (o pai) acaba matando um abade por acidente. Com isso ele conquista o ódio dos cristãos locais, que queimam sua propriedade e o expulsam da Mércia com os poucos guerreiros que escolhem acompanhá-lo.
 A armadilha do destino que o leva matar aquele abade específico se torna mais impressionante à medida que nos aprofundamos na história e compreendemos o quão estratégica era a presença daquele abade nortumbriano na Mércia.
Velho, empobrecido e com poucas esperanças, Uhtred volta suas atenções ao norte uma vez mais, e intenta um plano maluco para recuperar Bebbanbug. Seu desespero o leva a uma tentativa impossível, que se afasta da possibilidade de sucesso a cada etapa e acaba levando Uhtred de volta ao sul para enfrentar velhos inimigos antes de poder reaver sua casa de direito.
Nessa sequência de aventuras, Uhtred se vê, mais de uma vez, salvo por seus amigos, o que é um paradoxo e tanto, já que tudo começa por causa da enorme horda de inimigos poderosos que cercam o guerreiro saxão.

Destaco a nota histórica, que acompanha todo final de livro do Cornwell, estabelecendo o que é meramente fruto da imaginação do autor e o que tem embasamento historiográfico; ressaltando onde ele se concedeu maior liberdade poética e onde foi rigorosamente fiel aos muitos relatos históricos que consultou.
Resta agora esperar por mais um episódio na aventura de Uhtred Uhtredson rumo a uma Inglaterra unificada.

sábado, 15 de novembro de 2014

A Canção da Espada - Bernard Cornwell

Uhtred, agora jurado a Alfredo e senhor de míseras terras em Coccham, guerreiro mais importante do rei, ainda se vê em dúvida quanto ao seu destino: unir-se aos vikings ou manter-se fiel aos juramentos que fez até poder voltar à Nortúmbria, sua terra natal?
Ainda acreditando ser rei por direito, Æthelwold, sobrinho de Alfredo, convence Uhtred a visitar um suposto morto que, com o devido sacrifício, volta do Niflheim para contar a quem o chamou os desejos das Nornas. A encenação é, na verdade, uma artimanha de Haesten. A mensagem era de que Uhtred seria rei de Mércia, reino então sem senhor, mas sob influência de Alfredo. Uhtred acompanha Haesten até Lundene, aonde conhece os irmãos Erik e Sigefrid Thurgilson, noruegueses que trouxeram um exército por mar para devastar Wessex.
As pretensões de Uhtred se esvaem quando ele vê que Erik e Sigefrid têm como prisioneiro um antigo amigo seu, o padre galês Pyrlig, que já fora soldado. Após convencer Sigefrid a lutar com o padre para definir seu destino, resultando na vitória de Pyrlig, Uhtred volta para casa prometendo retomar a conversa com os irmãos. No entanto, mantém seu juramento a Alfredo e recebe ordens de tomar Lundene das mãos dos nórdicos. A tática de Uhtred mostra-se eficaz e, furtivamente, ele penetra as defesas internas da cidade e mantém os invasores fora dos portões, levando-os ao encontro das forças de Æthelred, senhor da Mércia e seu desafeto, além de marido da filha de Alfredo, Æthelflaed. A cidade é tomada, mas Uhtred, pagão e conhecido amigo dos dinamarqueses, deixa Haesten, Erik e Sigefrid escaparem de volta a Beamfleot, na Ânglia Oriental, sob domínio do dinamarquês convertido cristão Guthrum, que não faz nada para evitar a ameaça nórdica.