sábado, 28 de maio de 2016

Sombras da Noite - Stephen King

Nesta coletânea, King se apresenta realmente como mestre do terror. Ele dedica vinte contos à nobre atividade de causar medo. Como sempre, digo, são em seus contos que ele se revela um dos maiores escritores vivos!
Passemos aos contos.

  • Jerusalem's Lot: voltamos à cidade assolada pelos vampiros, e desta vez conhecemos sombras mais antigas que os forasteiros sanguessugas.
  • Último turno: há algo mais assustador do que ratos? Muitos ratos, infestando um prédio antigo? E se os ratos, ano após ano, começassem a mudar? Ficar maiores, mais vorazes, mais violentos...
  • Ondas noturnas: alguns jovens se reúnem em uma praia depois de queimar vivo um homem contaminado com Captain Trips, o vírus que extermina a humanidade em A Dança da Morte. O que a consciência da finitude pode fazer conosco?
  • Eu sou o portal: seria o planeta Vênus assombrado? Poderiam os alienígenas possuir um ser humano, um ex-astronauta, na terra?
  • A máquina de passar roupa: imagine uma máquina industrial de passar roupas de mais de nove metros de imponência. Agora imagine que essa máquina adquiriu um estranho gosto por sangue...
  • O bicho-papão: poderia um pai ser perseguido pelo bicho-papão, que passa alguns anos dedicado a matar todos os seus filhos e levá-lo à loucura?
  • Massa cinzenta: esse deve ser o conto mais nojento do livro. Imagine uma gosma cinzenta e espumosa, viva e faminta... erg!
  • Campo de batalha: um assassino de aluguel recebe uma estranha encomenda, uma caixa com miniaturas de soldadinhos, helicópteros e jipes militares. O estranho na encomenda é que os soldadinhos estão vivos e têm a missão de exterminar o assassino.
  • Caminhões: E se os caminhões em uma parada de caminhões ganhassem vida e resolvessem caçar os humanos?
  • Às vezes eles voltam: um professor de Ensino Médio muito atormentado por alunos violentos é forçado a conviver com os fantasmas de sua infância. Eu digo fantasmas de verdade.
  • Primavera vermelha: juntamente com um estranho fenômeno meteorológico típico da Nova Inglaterra surtos de assassinato começam em um campus universitário.
  • O ressalto: o que há de mais em se entrar em uma aposta de vida ou morte com um mafioso?
  • O homem do cortador de grama: e se a grama da sua casa fosse aparada por um animal transformado em gente por uma feiticeira? E se ele quisesse aparar algo mais que a grama?
  • Ex-fumantes Ltda.: no melhor conto do livro, King ensina uma técnica infalível para se parar de fumar!
  • Eu sei do que você precisa: e se um cara conseguisse saber tudo que uma garota deseja? E se isso não fosse uma coisa boa?
  • As crianças do milharal: King trata neste conto de uma das seitas satânicas mais conhecidas da ficção.
  • O último degrau da escada: as vezes a culpa pode ser bem pior que o medo...
  • O homem que adorava flores: este curto conto mostra que o amor também enlouquecer.
  • A saideira: e estamos de volta a 'Salem's Lot, a terra devasta e ainda assombrada por vampiros.
  • A mulher no quarto: o que fazer quando sua mãe está tão doente, tão doente, que sua única esperança é uma morte menos dolorosa?

sábado, 21 de maio de 2016

O Inocente - Harlan Coben

Outro dia uma amiga me mandou uma mensagem por Whatsapp dizendo: "Harlan Cobem é muito bom! Como ele faz isso?".
Eu até pensei que sabia a resposta, mas depois de ler O Inocente, não sei mais dizer como ele faz isso, só sei que ele faz e é demais!
Neste livro, acompanhamos a vida de Matt Hunter, um universitário de 20 anos, típico bom garoto americano que acaba entrando em uma briga para salvar um amigo e, sem querer, mata um dos envolvido em um golpe de puro azar. A despeito de sua inocência, ele é condenado e passa quatro anos preso, sujeito às violências e à sordidez da cadeia.
Quando sai, com muita luta e apoio do irmão, ele consegue se reerguer, superar os traumas e em parte o estigma de párea social. Começa a trabalhar na firma de advocacia da qual o irmão é sócio, mas, embora seja bacharel em direito e muito competente, não consegue a licença para advogar por ter sido condenado por assassinato.
Ele também consegue encontrar o amor. Quando ele reencontrar Olivia, a bela garota com a qual havia saído uma vez antes de ser condenado, o romance ressurge e eles se casam.
Matt, então, consegue voltar a viver plenamente. 
Tudo descarrila quando eles finalmente conseguem engravidar. Pouco depois de decidirem comprar celulares modernos com câmera (o livro é de 2005) ele recebe umas fotos e  um vídeo incriminador sobre a esposa.
A partir daí, entramos em uma rede de ação, mistério e aventura até o fim do livro, com detetives, assassinos, agentes do FBI, ex-estripers e freiras.
Harlan Coben provando a que veio do começo ao fim!

sábado, 14 de maio de 2016

Halo: Cryptum, A Saga dos Forerunners - Greg Bear

A exemplo da série de livros da franquia Assassin's Creed, Halo tem sua origem nos games. A franquia para Xbox pertence à Microsoft e é um grande sucesso, com várias versões, adaptações e spin-offs. No universo do game, há uma guerra interestelar entre a humanidade e uma aliança teocrática alienígena; nessa aliança, é muito forte a influência dos antigos forerunners, uma civilização desaparecida após o combate com uma raça de parasitas chamada flood. A trilogia de livros Halo, a Saga dos Forerunners (Cryptum, Primordium e Silentium) conta parte da história dessa civilização mítica.
Nesse primeiro livro, pegamos carona com Bornstellar Nascido nas Estrelas de Duração Eterna, o Born, um jovem forerunner da casta dos construtores (aparentemente, uma das mais altas na hierarquia deles) que vai há um planeta habitado por humanos, uma espécie com muitas e diferentes raças, hostil aos forerunners, extremamente primitiva e leiga. Born está a procura de artefatos "arqueológicos" dos Precursores.
Ele, no entanto, acaba por despertar, nesse planeta exótico, um antigo guerreiro forerunner; um dos mais poderosos que já existiu, essencial na luta travada entre forerunners e humanos há mai de mil anos.
Lentamente, ele se vê, em parceria com o grande guerreiro e dois humanos de subespécies diferentes, em uma jornada pela galáxia, seguindo as misteriosas orientações de outra forerunner milenar.

De um modo geral, o enredo, tanto do jogo quanto do livro, é muito interessante, sempre deixando margem para mais revelações e para mais ação. Entretanto, o estilo narrativo, como era de se esperar, deixa um pouco a desejar...

sábado, 7 de maio de 2016

Os Três Ratos Cegos e Outras Histórias - Agatha Christie

Ter um livro da Agatha Christie para ler é um alento. Ter uma de suas coletâneas de conto nas mãos, é, então, certeza de bons momentos de leitura. Em Os Três Ratos Cegos e Outras Histórias, a Rainha do Crime reúne treze de seus contos policiais para divertir e intrigar.

  • Os Três Ratos Cegos: em pleno inverno uma nevasca isola uma pousada recém inaugurada no interior da Inglaterra, distante quatro quilômetros do vilarejo mais próximo, fica isolada do mundo. Hospedados lá, quatro hóspedes têm razão para desconfiar uns dos outros: pouco tempo antes deles chegarem à pousada, um assassino disfarçado deixara registrado em um caderno que se dirigia àquela pousada. A agonia do jovem casal que é do da hospedaria só aumenta quando um de seus hóspedes é assassinado em plena luz do dia.
  • Estranha Charada: Miss Marple é convidada para solucionar uma divertida charada, procurar um tesouro escondido em uma mansão recém herdada. Só mesmo a divertida velhinha, com suas digressões e tagarelices poderia resolver esse mistério.
  • O Crime da Fita Métrica: Uma mulher aparece morta dentro da própria casa. Seu marido é o principal suspeito do assassinato, mas alguém parece ter tentado incriminar Miss Marple também... cabe, então, a ela procurar um alfinete no palheiro.
  • O Caso da Empregada Perfeita: Uma empregada perfeita aparece no pequeno povoado de St. Mary Mead. Ela encanta a todos com seus préstimos... até que desaparece depois de fazer a limpa nas casas da região.
  • O Episódio da Caseira: Mais uma aventura de Miss Marple, dessa vez o mistério envolve uma casa caindo aos pedaço, há muito administrada por um velho casal.
  • Os Detetives do Amor: Um homem é assassinado dentro de sua casa trancada. Então, o assassino ou de dentro ou tem a entrada garantida. Entre os suspeitos um casal, poderiam os detetives salvar o amor do jovem casal?
  • O Sinal Vermelho: Seria possível prever uma morte? Em uma sessão de espiritismo os curiosos reunidos são alertados que algo ruim espere por um deles em casa.
  • O Quarto Homem: Pode uma pessoa ter dupla personalidade? Tripla? Quádrupla? Pode uma personalidade assassinar a outra?
  • O Rádio: Uma velha viúva ouve seu falecido marido dizer, pelo rádio, que está vindo buscá-la no final da semana. No dia e na hora marcados, ela morre.
  • Testemunha de Acusação: Um jovem pobre e desesperado é acusado de assassinar sua velha patrona. A principal testemunha de acusação: a esposa apaixonada.
  • O Mistério do Vaso Azul: Em um campo de golfe quase vazio um grito por socorro é ouvido todas as manhãs, na mesma hona e no mesmo lugar.
  • A Última Sessão: Uma médium pode trocar de lugar com o espírito ao qual dá voz?
  • SOS: Um homem sofre um acidente durante uma tempestade e é obrigado a pedir abrigo em uma fazenda próxima. Ele passa a noite com a família, é muto bem recebido, mas durante a noite, recebe um pedido de socorro. Como evitar um assassinato?

sábado, 30 de abril de 2016

O Buraco da Agulha - Ken Follett

Prossigo em minha tarefa de ler os livros de Ken Follett no estilo thriller de espionagem e de guerra. Entretanto, este romance, seu livro de estreia, também cai no estilo de ficção histórica, em que o autor se sai tão bem.
Nesse livro seguimos as atividade de um espião nazista, o Agulha, na Inglaterra durante a Segunda Guerra Mundial. Com ele aprendemos um pouco sobre seu treinamento, suas ações e reforçamos aquele lugar comum sobre a violência e a desumanidade dos oficiais de Hitler.
Em contrapartida, acompanhamos também o correspondente britânico para o Agulha, um jovem civil, historiador de carreira, às voltas com um estudo sobre os Plantagenetas na Idade Média, que é convidado por seu tio a integrar o MI6 (agência de espionagem e contraespionagem britânica — a mesma da qual fazia parte James Bond) e ajudar na caçada aos espiões de guerra.
Assim, alternando entre esses dois personagens e seus respectivos comandos, assistimos algumas das atividades desse período tão famoso e tão sangrento.
Embora seja sua primeira publicação, Follett demonstra nesse livro mais capacidade que em alguns que o sucederam (como o que eu descrevi no começo do mês, Na Toca do Leão).

O livro também foi adaptado para o cinema, com o mesmo nome.

sábado, 23 de abril de 2016

A Revolução dos Bichos - George Orwell


Eis que, no início da noite, em uma fazenda na Inglaterra, o porco convoca uma reunião. Todos os bichos comparecem, lotam o celeiro para ouvir o porco falar, com deferente respeito e atenção.
A ideias dele são inovadoras e ele vai direto ao ponto: há que se remover o homem do poder. É ele a causa de todo o sofrimento da bicharada. É ele que explora todo o trabalhos dos animais da fazenda, dos ovos da galinha ao leite da vaca, do esforço do cavalo à lã das ovelhas, dos prêmios nos concursos de porcos à carne de que se alimenta, dos produtos e dos filhotes que vende.
É o homem quem menos se esforça, que menos suor emprega e quem nada de sangue empenha. Entretanto, é o homem que de tudo usufrui.
É, então, o homem o inimigo. E são, então, todos os bichos aliados nesse luta.
Ainda nessa reunião,  porco determina que não pode haver concessões nem acomodamentos. Nenhum animal deve se deixar levar pelo estilo de vida do homem. Não devem eles jamais beber álcool ou fumar tabaco, ou viver dentro de casas, ou dormir em uma cama ou usar roupas. 
Assim começa essa revolução. É nítida a semelhança com outra revolução famosa, a Revolução Russa. E as semelhanças não param por aí...
Logo que os bichos passam a gerir a fazenda, são os porcos que se encarregam da liderança, dividindo tarefas, conduzindo os processos de aprendizagem — porque eles aprender a ler e desejam que todos os animais também aprendam — e dividindo os bens produzidos na fazenda.
Não é, então de surpreender que sejam os porcos que recebem as maiores fatias, as frutas mais frescas, o maior quinhão de leite; que tenham menos trabalhos, precisem fazer menos esforço e sempre liderem as discussões.
A cada capítulo, quanto mais a revolução se aprofunda, mais claras ficam as referências ao regime soviético, com sua ineficiência, sua corrupção e sua violência.

sábado, 16 de abril de 2016

Biografia Erico Verissimo

Ceta vez, um amigo comentou comigo a lástima que era o fato de não termos em nossa literatura autores realmente bons. Na época, eu apenas, pensei em quantas vezes Machado de Assis havia se revirado no túmulo ao ouvir isso. Tivesse eu, já naquela época, lido Erico Verissimo, saberia como corrigi-lo prontamente, pois este é sem dúvida um dos melhores escritores do mundo.
Gaúcho de Cruz Alta, Erico nasce em 17 de dezembro de 1905 e viveu longos (pelo menos para a época) 70 anos, antes de falecer em 28 de novembro de 1975, tendo enriquecido o mundo com mais de vinte livro, fruto de suas imaginação inigualável, memória louvável e viagens apaixonantes.
Erico teve a sorte de nascer em uma família abastada, mas o azar de ver a fortuna da família sumir por entre os dedos. Mais tarde, com sua escrita, teve a chande de reconstruir o patrimônio.
Na infância estudou nos melhores colégios, mas sofria de enfermidades. Na adolescência, leu os clássicos brasileiros e, ainda jovem, mal saído da puberdade, começou a trabalhar como balconista em um armazém.
Antes mesmo de seu casar, com 22 anos, publicou-se pela primeira vez. Do primeiro conto, em uma revista mensal, para os seguinte n'O Globo, foi um pulo: estava reconhecido o talento para as letras daquele gaúcho convicto.
Durante sua vida, viu popularizarem-se as ideias da esquerda e amargou dois regimes totalitários, o Estado Novo de seu conterrâneo Getúlio Vargas e a Ditadura Militar, essa última ele não teve tempo de ver findar. Vivendo em um período tão turbulento e sendo um homem pensante de posse de uma caneta, muitas vezes foi acusado de subversivo e de comunista.
Não obstante as críticas que possam levantar a seus posicionamentos e até à sua estilística, é inegável a contribuição que ele deixou na literatura nacional.